Uma das figuras históricas negligenciadas pela História do Brasil é a da Princesa Leopoldina. A arquiduquesa austríaca Maria Leopoldina Josefina Carolina de Habsburgo era filha do Imperador Francisco I da Áustria. Diz-se que o Marquês de Marialva, embaixador de Portugal em Paris, despendeu uma fortuna para realizar a esplendorosa festa no jardim imperial de Augarten, comemorativa às bodas com o ausente Príncipe D. Pedro, filho de D. João VI.
Ela chegou ao Brasil com três damas de companhia, um capelão, algumas criadas, um bibliotecário e uma missão científica. Era uma das princesas mais cultas da Europa e falava francês, inglês, italiano e dominou o português, que aprendeu logo que acertado seu casamento. Era amiga de poetas, como Goethe, de músicos como Franz Schubert e se interessava por mineralogia, botânica e cavalos.
Só não foi feliz porque se apaixonou por Pedro I e permaneceu no Brasil, a despeito de todas as canalhices do marido. Este era um rapaz malcriado e irresponsável, mulherengo e farrista, briguento e fanfarrão. Um visitante estrangeiro disse ter os modos de “um moço de estrebaria”. Mas isso não era o pior. Ao fazer de Domitila sua favorita, teve com ela cinco filhas, que passaram a conviver no paço real de São Cristóvão com as demais. A partir de 1822, distinguia a amada e humilhava a imperatriz.
Chegou a usar a mesada de D. Leopoldina, concedida pela Casa de Habsburgo no contrato pré-nupcial, para comprar joias para a outra. Transformou Domitila em primeira dama de companhia da imperatriz, trazendo-a para o convívio diário no paço imperial e levando-a em viagens oficiais. Em Salvador, desfilou com a amante em público e deixou Leopoldina acomodada em um quarto dos fundos, grávida de D. Pedro de Alcântara, o futuro Pedro II.
Numa noite, Leopoldina grávida, levou um pontapé de seu amado esposo. Foi jogada de uma escadaria. Em consequência dos maus-tratos, abortou. Era um menino e o ano era 1826. A partir daí, entrou em depressão profunda, sofreu de febres inexplicáveis e começou a definhar. Não saía mais do quarto. Estava em verdadeira prisão domiciliar.
Voltarei ao tema.
José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
Confesso que não recordava que nossa história teve por protagonista uma pessoa de tal caráter, ou melhor dizendo, sem caráter como D. Pedro I… aguardo a continuação do tema! Abraço!