Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Todos têm uma!

1 comentário

Ao menos uma mãe, todos ainda têm. Digo ainda porque, na paranóia de “brincar de Deus”, o homem tenta produzir o semelhante com dispensa da participação natural dos dois sexos. A clonagem se proporia a replicar a espécie em laboratório, desnecessária a união sexual entre mãe e pai.
Enquanto esse mundo novo não chega, todos têm ao menos uma mãe. Há os felizardos que têm mais de uma. A avó, que ajudou a criar. As “mães postiças”, que são aquelas que adotam afetivamente os amigos dos filhos, as crianças que admiram e que continuam a maternizar durante toda a vida.
E há, infelizmente, os que já não têm mãe. Dentre os quais me incluo. Sem deixar de reconhecer que à minha mãe eu devo o que sou. Se não sou melhor, não foi por falta de investimento materno. Ela me ensinou a ler, me ensinou a pensar, me ensinou a viver.
Ao mesmo tempo em que me sinto privilegiado por poder contar com essa mãe atenta – por sinal, não muito diferente de outras mães de minha geração – lamento por aqueles órfãos de mães vivas. As mães que não se preocupam com a formação dos filhos. As mães que satisfazem todos os desejos, como se a vida inteira se resumisse em atender ao ego insaciável. As mães que se recusam a recriminar, que se dizem “amigas” dos filhos, quando estes precisam – mesmo e efetivamente – de uma mãe.
O pai é necessário. Mas a mãe é imprescindível. Ela é a educadora. No momento em que ela passou a assumir outras funções, ganhou o mercado de trabalho, devotou-se à profissão, não se sentiu realizada com a hercúlea missão doméstica, o resultado foi uma geração perdida. Gente sem limites, sem freios, sem parâmetros.
Nada substitui a mãe. Se existe um ser insubstituível, esse é o que foi abençoado com o dom maravilhoso de coparticipar da obra divina da criação. É mais fácil crer em Deus quando se tem mãe. A titular do amor incondicional, a amiga verdadeira, o único ser disposto a oferecer sua vida em benefício da cria.
Neste dia reservado especialmente às mães, os que têm a ventura de poder abraçá-las não economizem carinhos. Os outros, tenham suas mães no pensamento. O coração delas, estejam onde estiverem, também está ancorado na lembrança dos filhos.

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Ambiental do Tribunal de Justiça de São Paulo, autor de “A Rebelião da Toga”, Editora Millennium, 2006. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Todos têm uma!

  1. Dr. Renato: concordo plenamente, que o amor da mãe é imprescindível. E essa necessidade independe da idade. Por mais seguros, bem sucedidos, intelectualizados , que os filhos sejam sempre existe aquele momento de alegria ou tristeza onde apenas o colo dela é necessário. Eu, com 46 anos de idade, acordei depois de um pesadelo chamando a minha mãe, como se tivesse voltado a infância, quando a proteção só dependia dela para acolher e a do meu pai para dizer que não havia perigo e era só um sonho. Algumas mães atuais podem ter mudado de comportamento, mas as necessidades dos filhos continuam as mesmas. E não é fácil para a mulher que trabalha fora e tem filho dar conta de ambos os papéis, que ocupam um grande espaço emocional em suas vidas.

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