Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Nossa Zuleika

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É jundiaiense a primeira mulher a ingressar no Ministério Público em São Paulo, no Brasil e na América Latina. A carreira de Promotor Público – hoje Promotor de Justiça – era reservada ao sexo masculino. Mas Zuleika Sucupira Kenworthy desafiou o preconceito.


Teve de se submeter ao concurso por três vezes. Esteve na promotoria por 32 anos, até aposentar-se como Procuradora de Justiça. Conta que em Martinópolis teve de intervir no desentendimento entre juiz e tabelião. Em Pirajuí, ajudou a encarcerar outro juiz envolvido com menores. Em Piraju, não se deteve ante a rebelião de 200 trabalhadores rurais que ameaçavam saquear a cidade por falta de pagamento de salários. “Pus o revólver na bolsa e fui de caminhão à fazenda onde estavam armados com porretes. Tomaram um susto. Mostrei que o dinheiro estava no Fórum”.

 

Zuleika é de família tradicional em Jundiaí, onde existe a rua Major Sucupira. A família paterna – Kenworthy – era de industriais em Manchester, na Inglaterra, e veio ao Brasil para fundar um império têxtil, conhecido como Companhia Nacional de Estamparia. Nasceu rica, cresceu bonita e culta, a dominar várias línguas.

 

Já aposentada, dirigiu o Instituto Latino Americano de Criminologia e devotou-se à música, na condição de regente de corais na Basílica do Carmo e na Igreja de Sant’Ana, no Alto da Boa Vista, na Capital. Ali privei de um saudável convívio com ela. Criatura generosa, boníssima, sempre atenta às necessidades do outro. Continua alegre, entusiasta e lúcida.

 

Hoje com 97 anos, realizou um sonho de criança: é escoteira desde 2003. Tem seu uniforme completo, inclusive as calças curtas. Tem muitas estórias a contar essa mulher pioneira, que fez história. Seria interessante que um plano abandonado de coleta da memória oral de Jundiaí tivesse início com Zuleika Sucupira Kenworthy. É urgente resgatar testemunhos de jundiaienses ilustres, que já não residem na cidade, mas cujo nome pode inspirar as atuais e futuras gerações.

 

A tecnologia disponível permite a gravação de testemunhos que poderão formar um factível, viável e acessível Museu da Imagem e do Som e acrescentar capítulo imprescindível à história de Jundiaí.

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Ambiental do Tribunal de Justiça de São Paulo, autor de “A Rebelião da Toga”, Editora Millennium, 2006. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Nossa Zuleika

  1. Meu Caro Nalini Des. essa mulher tem muita coragem diga a ela que moro vizinho da Cidade de Piraju hoje depois de muito anos de sua passagem por lá esta cidade tem muita importancia e abriga duas repesa de produção de energia eletrica o lago de jurumirim que muito lindo e sempre falo pro senhor vir conhecer rio paranapanema muito limpo parabéns por valorizar esta lutadora do MP QUE MUITAS VEZES SÃO ESQUECIDOS.

  2. Caro confrade Nalini: tiver o prazer de entregar o Diploma de Homenagem Especial do IHGGS nesta última Sexta-Feira, lá na sede do Instituto,em Sorocaba. Não a conhecia, nem sua edificante história. Foi um momento de plena felicidade ao me ver diante desta mulher batalhadora, culta e tão forte! Frances de Azevedo

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