Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Brigitte animal

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O ano da França no Brasil propicia não só os eventos oficiais, como a oportunidade de revisitar os mitos. Dentre eles, Brigite Bardot.  Quem nasceu antes da década de cinqüenta do século passado não se esquece da glamourosa estrela descoberta por Roger Vadin em “E Deus criou a mulher”. Ela encantou gerações, era o símbolo da liberdade, foi um ícone significativo na revolução feminina. Aquela que Norberto Bobbio considera a mais importante do século XX.

Pois Brigite ainda está viva. O peso dos anos a enrugou, deixou-a trôpega. Caminha apoiada em dois aparelhos que a auxiliam a se manter em pé. Mas continua a lutar. Talvez por ter sido tão perseguida por fotógrafos e cinegrafistas, compara-se a um animal acuado. E dispôs de toda a sua fortuna – que também não era imensa – para criar a Fundação Bardot para animais.


Lutou contra o massacre dos bebês-foca, eliminados no Canadá para vestir as mulheres que ela chama de “imbecis”. Perdeu a luta. A matança continua. Mas livrou muitos cavalos, cachorros, gatos e outros bichos que, não fosse ela, teriam sido abatidos. Confessa-se desiludida com os homens, mas confiante nos animais. A mais miserável dentre as criaturas humanas pode nutrir a esperança de não ser entregue a um abatedouro. Convicção que os ditos irracionais nunca tiveram ou jamais terão.


A Bardot não coleciona bons momentos, daqueles que confortam a solidão, a enfermidade, a velhice e a indefectível proximidade da morte. Foi amada? Casou-se com Roger Vadin, depois com Jacques Charrier e com Gunther Sachs. Teve um filho só, com quem não fala desde 1997. Ele rompeu com a mãe depois de ter lido uma biografia desautorizada.


Dos maridos, fala com carinho de Gunther Sachs, que continua seu amigo e que arrematou por 260 mil euros o brilhante com que ele mesmo a presenteara. Não deu de volta porque sabia que ela o venderia de novo. Tudo para manter sua fundação.


Seu discurso em favor dos animais é pouco ouvido. Quando consegue congregar a imprensa para uma coletiva, as perguntas contemplam o seu passado de mulher desejável, com que os homens sonhavam, mas que – talvez – nunca tenha sido verdadeiramente amada. Só pode restar o amor dos animais, bem diverso de um “amor animal”.   

                                                                                           
José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Ambiental do Tribunal de Justiça de São Paulo, autor de “A Rebelião da Toga”, Editora Millennium, 2006. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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