Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Barbas de Molho

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José Renato Nalini


Meus amigos sabem que eu tenho medo de avião. Acho bonito de longe. Quando estou dentro dele, invade-me um pavor paranóico. Nem sempre foi assim. Quando criança, sonhava viajar. A primeira vez que fui para a Europa, não me passou qualquer temor prévio ou durante a viagem. Até ajudei a confortar um amigo que se apavorava. Com o tempo, fui ficando medroso. Será que é o fato de ter filhos e com eles querer permanecer mais tempo? À medida que os anos passam, as viagens se intensificam, sinto-me desconfortável por temer aquele que é o meio mais seguro de viajar. Segundo dizem.


Outro dia, pensei o que aconteceria se estivesse no avião da TAM que enfrentou turbulência em Pirassununga, já em procedimento de descida. Com certeza não teria sido arremessado ao teto, porque não desato o cinto de segurança durante toda a viagem. Até o caminhar das aeromoças me incomoda, pois parece que seus passos fazem o avião balançar. Mas, tenho a certeza, não passaria bem. Pressinto até que numa dessas, sofreria um enfarto. O que pensar, então, de um Air Bus 330, como o que a Air France perdeu no início da viagem entre Rio e Paris?


Isso me abate, como a todos os que tomam conhecimento dessas tragédias. Tantas vidas ceifadas. Tantos sonhos desfeitos. O casal em lua de mel. O professor que, obtido o êxito profissional/acadêmico, levava a família a comemorar. O jovem príncipe. Os executivos. O maestro, o chefe de gabinete, tantas histórias que tiveram o fim antecipado.


Para os que têm medo de viajar de avião, isso é terrível. Renova a paúra. Sentimento indomável, que não cede ante a argumentação científica. Estatística não cura pavor. É algo de instintivo, que brota na parte animal que a gente não consegue domar. Para os crentes, é uma oportunidade para pensar no rumo imprimido à própria vida. Ela pode acabar a qualquer momento.


Somos perecíveis, frágeis e de nada sabemos, a não ser que esta trajetória é finita. Não é bom retomar aqueles hábitos esquecidos de se reconciliar, de se livrar daquilo que incomoda e de falar aos amados que eles são importantes para nós? Por via das dúvidas, já estou com as barbas de molho. E falo literalmente, porque ainda não consegui ficar sem elas.


José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Ambiental do Tribunal de Justiça de São Paulo, autor de “A Rebelião da Toga”, Editora Millennium, 2006. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Barbas de Molho

  1. O medo algo ainda sem explicação porque somos frageis criaturas que precisa de roupas e um teto para ficar debaixo ainda mais uma alimentação suficiente para poder viver é uma luta e por inclivel que pareça conseguimos superar tudo isso, mas ainda com relação as catatrofes ficamos paralizados são terremotos, doenças guerras e acidentes que ceifam vidas e deixam perplexos os espectadores mas quando chega nossa vez de infretar as estradas o ar e qualque coisa que cause risco a nossas vida bate um arrrepio é o medo que chega para qualquer ser humanos de bom senso os riscos existem e podemos ser vitimas a qualquer minuto de um acontecimento então rets ter f´r muita fé e rezar por aqueles que já se foram e suas familias que ficam com a s sequelas e trauams para sempre. Um abraço de Roberto.

  2. E se não precisamos ir tão longe e podemos aproveitar?

    Parando e curtindo?

    As decisões cabem a cada indivíduo… Mas se analisarmos por outra perspectiva, e se a nós é legada outra oportunidade financeira, o aproveitamento pode ser outro – o confinamento do avião também não me atrai -:

    http://turismo.ig.com.br/destinos-nacionais/as-11-estradas-mais-incriveis-do-brasil/n1597216427845.html
    http://www.guiadasemana.com.br/turismo/noticia/viagens-de-carro-pelo-brasil-que-voce-tem-que-fazer-antes-de-morrer

    http://veja.abril.com.br/noticia/economia/conheca-as-7-melhores-operadoras-de-cruzeiro-do-mundo/

    E se precisamos?

    https://www.youtube.com/channel/UClcijYiuP6ROedK46n3xC2A – Do Brasil ao Alaska
    https://www.youtube.com/watch?v=D0uSA5NxI7k – Ao final das Américas – História para contar.

    O válido é o percurso: https://www.youtube.com/watch?v=TLC1KaNN9XM

  3. As inseguranças deixo para os meus parceiros… Um deles havia de ser corajoso, então que seja eu o tolo ou imprudente. Covardia nunca construiu NADA.

    O sagrado é aquilo pelo qual podemos nos sacrificar (Ferry) Um homem que não encontrou em vida um motivo para perdê-la é um pobre homem (provérbio árabe)

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