Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A falta que meu pai me faz!

8 Comentários

José Renato Nalini

Quem tem pai não avalia o que seja contar com esse amigo certo e incondicional. Quanta vez a gente não entende o seu intuito quando recrimina, adverte, admoesta e até parece cruel ao corrigir. Mas pai só quer o bem do filho. Ao menos os pais normais.  Depois que a gente perde o pai é que vai saber o quão precioso era esse companheiro. Porque pai não dura para sempre. Cada vez mais forte a dor da ausência e à medida em que os anos passam é que a compreensão se afina. Será isso a sabedoria? Ou a experiência da vida?

O aprendizado do filho que perdeu o pai nem sempre vai se refletir no aprimoramento da própria paternidade. Ou seja: não é porque eu sinta tanto a falta de meu pai que me considero um pai exemplar. Os filhos são cobaias nos quais a gente costuma experimentar teorias ou intuições. O certo é que filhos são objetos de amor, mais do que sujeitos livres para o exercício desenvolto de suas opções. Por mais que se tente controlar, o que a gente quer mesmo é controlar o filho. Daí as divergências, que não sufocam o amor. Amor desinteressado, puro, imenso, infinito.

Celebrar o dia dos pais é oportunidade de reflexão. Pai não quer presente, embora queira ser lembrado. Pai quer carinho. Pai quer colo. Pai também é gente, embora você pense que ele já nasceu velho. Quem não tem pai, como eu, tenha um pensamento de carinho muito especial àquele que o gerou e de quem você vai sentir cada vez mais saudades. Para todos, vai aqui o “Poema a meu Pai”, que Saulo Ramos escreveu em 1952 e que ainda considero atual:

Meu pai, eu sou tua ressurreição:/ herdei, de ti, feições e sentimento,/e trago na alma o que tu tens no fundo./Ao caminharmos para a perfeição/ tenho a impressão de que, certo momento,/ fomos um só, na criação do mundo./ Viemos de geração em geração,/ no mesmo sangue, ao mesmo amor ardente,/ multiplicados a nos renascer,/ sentindo, a cada nova criação,/ o outro querendo ser eternamente/o que um não teve tempo para ser./ Somos tão nós, que o tempo nos reflete/como dois incansáveis andarilhos/ através de velhice e mocidade…/… e é tão imenso o amor que nos repete/ que nasceremos juntos em meus filhos/ e chegaremos um, na eternidade. 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

8 pensamentos sobre “A falta que meu pai me faz!

  1. Excelentíssimo Senhor
    Doutor José Renato Nalini

    parabéns pelo belíssimo texto sobre os pais! Fantástico e emocionante!
    Um forte,
    de seu amigo Flávio

  2. Deus é pai atravéz dele encontrei paz e muita força para hoje ser pai e investir meu amor numa criaturinha amavel aonde renovo todos os dias minhas forças ser pai é divino.

  3. Senti meus olhos lacrimejarem já nas primeiras linhas do seu texto. Parabéns, pela sensibilidade e sinceridade.

    Zildete Medeiros
    advogada que acompanha os seus trabalhos.

  4. Meu papai herói… hAh ! Se eu soubesse que era aúltima vez, não teria dito nada do que disse, não teria feito nada além de te abraçar e aproveitar cada segundo sem tirar os olhos de você… se tivessem me avisado que era a última vez, eu poderia implorar pra que você ficasse mais um pouco, só pra te explicar que mais um pouco seria muito pouco, e que por menos que fosse, já seria muito pra mim… se eu soubesse, ah, se eu soubesse! te falaria mil coisas, sem dizer uma palavra…e quando você estivesse indo, eu te chamaria de volta, só pra dizer mais uma vez o “EU TE AMO” que ninguém mais vai ouvir, e te dar um último abraço, com o amor que ninguém mais vai te entregar…
    Vc me faz falta papai…

  5. Ola renato, meu nome é joelma, e no mês passado perdi meu pai, estou precisando de muita força, pois ele era o meu exemplo d vida, eu ñ esperava que fosse perdê-lo….Mais ele se foi…Gostaria de saber o que vc tem feito para superar essa perda?

  6. Nós só damos o real valor das coisas quando as perdermos. Meu pai faleceu há 2 anos e sinto tanto a sua falta. É uma ferida que doi e não se sente…

  7. Amigo, que bom que você tem o amor de seu pai, afinal a alma ama como os homens encarnados. Eu e muitas outras pessoas não tivemos a mesma sorte de ter um pai que nos ama ou amou, uma vez que o abandono e a indiferença…Com todo amor de irmã em Cristo, seu pai está vivo em espírito e continua te amando e amparando segundo suas possibilidades.

  8. Como sempre a sensibilidade de seus textos refletem a sensibilidade de seu espírito. É tão doído todos os eu te amo que deixamos de falar em alguns momentos.

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