Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um leão de bom coração

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Dentre os amigos que a Providência chamou nestes tempos tristes, incluo o notável Mestre do Júri, Hermínio Alberto Marques Porto. Figura heráldica, respeitada por seu tirocínio, fascinava todos os que o ouviam. Assim foi que no Tribunal do Júri celebrizou-se pelas candentes orações. Era vitoriosa a sua tese, mercê do brilho de sua oratória e da incrível capacidade de persuadir.

Na década de 70 do século passado já era famoso. Assim foi que o conheci, como professor num curso de extensão em Processo Penal na PUC-SP. Pouco depois tive o privilégio de privar de sua amizade, pois integrava o Ministério Público e ali fazia a melhor política institucional.

Na condição de Promotor Substituto, alinhei-me à sua ala. Juntos percorremos o Estado de São Paulo em campanha para as eleições da Associação Paulista do Ministério Público. Pude conhecê-lo na intimidade e constatar seu constante bom humor, as tiradas geniais, as frases memoráveis, a simpatia com que se relacionava com todos. Perdemos a eleição, mas conquistamos amigos para a vida inteira. Ele chegou a Corregedor Geral do Ministério Público e mudou a fisionomia de um organismo temível, que antes dele era punitivo e a partir daí tornou-se alavanca de apoio e orientação para todos os promotores.

Enxergava como ninguém a potencialidade do Parquet e contribuiu para o desenho que o constituinte de 1988 adotou e que tornou o Ministério Público a instituição mais poderosa da República. Transfigurava-se ao falar. Crescia ainda mais, ele que era um homem gigantesco, no físico e no caráter. Nunca abandonou o magistério. Formou legiões de pós-graduados e orientou pessoalmente centenas de prestigiados profissionais. Enquanto atualizava sua obra sobre o Júri, essencial a quem queira conhecer por dentro essa instituição democrática.

Ainda posso enxergá-lo, moço e entusiasta, a nos animar pelo périplo no hinterland e a extrair humor dos encontros malsucedidos numa campanha que, já àquela época, se caracterizava por exigir mais ética em qualquer política. Mesmo a política institucional.
Hermínio Marques Porto, leão no júri, imenso coração para os seus amigos.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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