Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

José Feliciano e o positivismo

1 comentário

José Renato Nalini

A propósito de José Feliciano de Oliveira, sobre quem escrevi breves palavras, alguns devotados leitores pedem informações complementares. Ele mereceria uma biografia minuciosa. Mas hoje vale a pena recordar seu perfil de Mestre da Filosofia positiva nos séculos XIX e XX.  Foi considerado o último sobrevivente da Execução Testamentária de Augusto Comte, função para a qual foi eleito em 1908, em substituição ao Dr. Bridges, conhecido historiador e filósofo inglês.

Publicou várias obras sobre o Positivismo. Não tantas, pois parece ter seguido o ensinamento de Augusto Comte, consoante quem a forma preferida de doutrinação é a oral. Mas em suas aulas professou a crença positivista, esclareceu o motivo de constar da Bandeira Nacional o “Ordem e Progresso”. Na verdade, a sua grande vocação era a docência.

Ensinou durante mais de setenta anos. Até os noventa ainda se desincumbia das aulas. Ministrou numerosos cursos na Sorbonne, no Instituto de História das Ciências, anexo à Universidade de Paris, no Colégio Livre de Ciências Sociais, além de seguidos Cursos de Filosofia Positiva na “Maison d´Auguste Comte”, com auditório sempre numeroso e fiel.
José Feliciano de Oliveira era o que se poderia chamar um “professor vivo”, que falava com entusiasmo, voz bem timbrada e dicção clara. Sua preleção era feita com os olhos fixos no alunado, jamais lida.

Para que se reconheça o prestígio que os estrangeiros lhe conferiram – ninguém é profeta em sua terra – é suficiente transcrever o que dele dizia o Professor Pierre Ducassé, da Sorbonne: “Professor igualmente notável pela pujança pedagógica como pela ciência, José Feliciano quis ser o apóstolo totalmente desinteressado das únicas convicções que lhe pareciam unir ao amor da Humanidade, que lhe iluminava a vida, a certeza da ciência que lhe iluminava o espírito”.

E ainda invoque-se o testemunho de Arbouse-Bastide: “ele revelava não só uma grande erudição e um profundo conhecimento dos problemas tratados por Comte, como também um juvenil ardor que cativava seu auditório e o prendia”. Será que os alunos egressos da Escola que leva seu nome têm consciência do significado e importância de seu patrono?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “José Feliciano e o positivismo

  1. Maravilhoso! Dá ânimo saber que não é só eu que acalento a memória deste ilustre cidadão JUNDIAIENSE. Também é uma pena que o poder público não pense assim, estamos para comemorar os 50º anos de morte do Professor José Feliciano de Oliveira, ocorrido em (03/07/1962) e nenhuma referencia oficial é feita sobre esta data.
    Saudações jundiaiense

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