Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Pimenta verde

1 comentário

O surgimento da candidatura Marina da Silva à Presidência da República apimenta a sucessão de Lula. Pois Marina foi a grande estrela-verde e não vermelha – do PT, quando escolhida para o Ministério do Meio Ambiente. História de heroísmo e de superação, foi notícia na mídia mundial junto aos prenúncios de que o governo brasileiro – finalmente – concederia ao meio ambiente a importância que ele merece.

O que aconteceu foi o que se sabe. Marina serviu como “grife ecológica”. Enquanto enfrentava resistências e incompreensões, o desmatamento continuou, as estatais do marketing ecológico persistiram a contaminar solo, água e ar, o Código Florestal sofreu mutilações, as grilagens na Amazônia foram regularizadas.

A seringueira acreana resistiu o quanto pode, mas teve de se afastar do poder. Só que o poder que ela encarna é de outra natureza. É o poder da ética, da coerência, da verdadeira compreensão holística do que significa a natureza.

Quando ingressa num jogo em que predominam os interesses – sobretudo os econômicos – nota-se perplexidade e receio. Acena-se com a inconsistência dessa candidatura. Não terá dinheiro para cacifar seu projeto, pois o poderio financeiro é insensível para o discurso da ecofilosofia. Acostumou-se a contrapor o “progresso” à defesa do meio ambiente. Aposta-se numa campanha folclórica, numa verdadeira anticampanha, invoca-se o precedente da senadora Eloísa Helena.

Mas, ao mesmo tempo, todos aqueles que atribuem ao ambientalismo a postura caricata de alguns fundamentalistas inimigos do progresso, não desconhecem que o tema ganha proporção crescente e em todo o mundo. O aquecimento global é uma realidade. Todos os países já experimentaram as consequências da insanidade humana. O Brasil é testemunha de que “o sertão pode virar mar” e que regiões salubérrimas foram vítimas de estiagem ou seca prolongada. Estes dias mesmo a cidade de São Paulo estava com a umidade do Saara (e não é preciso falar “deserto do Saara”, pois Saara já quer dizer deserto…).

E se todos os homens de bem resolvessem levar a sério essa proposta e apostar na “pimentinha verde”? Não seria interessante? Vamos esperar para ver.  

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Pimenta verde

  1. Politica é minha paixão lutei muito nas fileiras tentando dar algo mias pro conjunto vencemos mas não levamos o Poder forma e disolve suas forças de acordo com interesses e projetos da ganacia de seus participes os menbos mais ousados de brecar o progresso dos lucros vão sendo minados aos poucos e se retiram como Marina então o PV a recebe de braços abertos para cuidar do que é verde boas palavras Desembargador ela merece.

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