Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Céu em festa, terramais triste

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Morreu no dia 3 de setembro, em Barbalha, no Ceará, o Padre Paulo de Sá Gurgel, da ordem salvatoriana. Foi ele quem fundou, na década de cinquenta do século passado, o Ginásio Divino Salvador, hoje o portentoso Colégio Divino Salvador.

Acumulava a diretoria e as aulas de Latim, Português, Inglês ou qualquer outra disciplina em que o mestre se ausentara.Tudo sem abdicar da ortodoxia clerical. Nunca transigiu com a fé, com os dogmas e com a conduta. Foi um emérito educador.

Uma legião de jovens daquela era deve ao Padre Paulo a sua formação moral. Ele procurava cuidar não apenas do ensino, como incutir princípios nos seus educandos. Nascido em 1920, incorporou estratégias da moderna pedagogia no sistema de ensino salvatoriano. Foi em sua direção que o estímulo ao esporte ganhou ênfase e graças ao seu tirocínio que o alunado passou a se congregar no colégio nos fins de semana.

Mantinha várias atividades desportivas abertas à participação, estimulava a leitura, com a criação de uma biblioteca plena de obras sedutoras e admitia a frequência de garotas para treinar o convívio social entre os sexos.

Sua atitude ousada foi questionada pela superiora do Ginásio São Vicente: suas alunas eram convidadas a dançar a quadrilha nas festas juninas salvatorianas e isso não era usual. Respondeu que os alunos do Divino convidavam as meninas do São Vicente porque eram as mais educadas, as mais simpáticas, fruto da educação ali ministrada. Conseguiu, com isso, vencer a barreira do anacronismo então reinante.

Chegou a colher glórias durante sua permanência em Jundiaí. A participação do “Divino” nos desfiles, sua portentosa fanfarra, seus times bem treinados eram sensação. A cada vez que visitava Jundiaí, depois de removido para Barbalha, no Ceará natal, recebia homenagens dos ex-alunos, agora profissionais responsáveis, que nunca se esqueceram dele. Recebeu o título de “Cidadão Jundiaiense” e aqui deixou uma legião de admiradores.

Foi enterrado na sexta-feira, 4 de setembro de 2009, na Igreja do Rosário, em Barbalha, após missa celebrada pelo bispo e vários sacerdotes. Festa no Céu, tristeza de seus ex-alunos nesta Terra. 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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