Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Educar é despertar

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O conceito de educação que inspirou grande parte dos responsáveis pela escolarização brasileira está superado. Transmitir informações durante aulas prelecionais em que alguém fala e certo número passivamente escuta já não atende à urgência de um processo formador de uma personalidade equilibrada.

Tudo mudou no mundo. Os padrões culturais, a hieraquia axiológica, os mercados, a produção e a circulação de bens e serviço. E circulação de conhecimento também. Hoje, até para se assinar jornal se veicula propaganda em que o foco é a obtenção do conhecimento.

Os tradicionais modelos de escolarização estão em xeque. O Brasil parece haver perdido o supersônico da História porque sua educação é pífia. As crianças não sabem ler e se soletram, não sabem dizer o que leram. Chegam ao ensino médio analfabetas e à Universidade com o evidente analfabetismo funcional da grande maioria do alunado.

A responsabilidade é de todos, não só do governo, no processo de se construir uma educação hábil a formar sujeitos aptos a modificar a sociedade do século XXI. Educação integral, que contemple empregabilidade, cidadania, valores, crítica, criatividade e responsabilidade social.

Para isso é imprescindível ensinar a criança e o jovem a se servir com adequação e proveito das tecnologias da informação e da comunicação. Para isso é preciso fazer revisão dos sistemas de ensino, com repensar currículos, motivar a interação, provocar a concreta participação do alunado na transformação de sua vida e de seu ambiente.

Já não se distingue bem o papel do professor e o do aluno. São ambos aprendizes de um novo convívio. É preciso ousadia para reconhecer, como o oráculo de Delfos depois celebrizado por Sócrates: “Só sei que nada sei”. E a partir dessa única certeza, tentar o caminho árduo – mas apaixonante – da ampliação dos conhecimentos, da capacidade de interpretar a realidade e de melhor compreender este mundo cheio de surpresas.

Ou a gente se compenetra de que tem de fazer infância e juventude abrir os olhos, ou de nada terá valido a pena a opção por educar. Educar é despertar para a única certeza hoje tangível: o paradoxo de que ela coincide com a era das incertezas.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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