Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

As gloríolas que passam

2 Comentários

 

José Renato Nalini

Caminhando num domingo pelos jardins, deparo-me com uma residência à venda. A curiosidade me faz entrar e percorrer os aposentos vazios. Casa senhorial, ampla, provida de todos os equipamentos necessários a uma família de posses. Árvores frondosas compõem o espaço e completam com o verde o apuro arquitetônico.

Ao chegar a um dos últimos quartos, no pavimento superior, vejo uma série de retratos enfileirados no chão. E reconheço os antigos moradores da casa. Ela, uma das mulheres mais bonitas de seu tempo, integrou a juventude dourada e, mais tarde, foi uma das dez mais do Brasil. Ele, empresário bem-sucedido, enriqueceu e foi um case exitoso na industrialização mais moderna. Era internacionalmente respeitado, viajava pelo mundo inteiro e recebia o capital e a alta sociedade em festas memoráveis.

Para melhor receber seus convivas, edificou um espaço no litoral que era disputado por congregar as expressivas esferas do poder. Poder econômico, poder político, poder ambíguo das celebridades. Conheci-os bem? Nem tanto. Mas um casal de amigos que privava com eles propiciou alguns encontros. Cheguei a frequentar algumas vezes sua casa. Vieram a Jundiaí outras vezes. O tempo aproxima, o tempo distancia. Perdi-os de vista, pese embora a simpatia com que tratavam os jovens ambiciosos. E a promessa de convívio com o filho mais velho, de mesma faixa etária.

Ela morreu mais cedo. Ele sobreviveu naquele naufrágio que é a velhice desprovida de lucidez. Encontrava-me com ele na mesma missa, que assistia de forma passiva, amparado por um enfermeiro. Vi nos jornais quando faleceu. E fui encontrar as fotos abandonadas, extraídas aquelas do filho mais novo, que levou as suas e deixou as dos pais, nos flashes dos momentos felizes que vivenciaram.

Soube mais tarde que a herança motivara o desentendimento entre os irmãos. Um deles é acusado de lesar os demais. Fortuna grande, mas cobiça ainda maior.  Ver o que acontece com a glória, o poder, a fama, a beleza, o dinheiro, após a morte, deve servir de lição para quem se acredita imortal. Independe dos pais o destino dos filhos. Mostrar a eles que a afeição é prioritária ao dinheiro pode não adiantar, mas inibirá o sentimento de qualquer remorso. 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “As gloríolas que passam

  1. Dr. Renato: O artigo está tão bem escrito,com tantos detalhes que me fez imaginar como se eu estivesse no lugar. Situações e sensações como as que descreve suscitam dois sentimentos: um de tristeza por aquilo que acabou e outro de alegria, por estar viva e ter a oportunidade de viver de forma diferente. Frase como : ” Nas mãos nada de material, mas estou aqui porque você está”,hoje em dia, afasta as pessoas. É uma pena, pois ainda muita gente ainda não descobriu que é isso que fica. Ensinar aos filhos, desde a infância, que a afeição é fundamental, principalmente se for com exemplos e com modelo de comportamento. A criança precisa aprender que o discurso e a prática dos pais são coerentes, para quem sabe, tornar-se um ser humano melhor.

  2. Meu nobre eu ao menos tenho uma foto de meu falecido pai, tinnha 9 anos qundo se foi e só tenho lenbraça da casa de tabua e chão batido e muita miséria comiamos abobora para não morrer de fome minhã mãe extraia o leite de meu irmão casula e dividia numa caneca de lata de extrato de tomate ficavamos sujo quase o dia inteiro pois mamãe lavava roupa para dez casa o dinheiro era muito pouco e a vida dura ao menos uma foto de meu pai e tenho ele era um bebado muito safado e morreu novo judiou muito de nós mas as coisa mudaram tenho agora 42 anos e posso dar a minha unica filha de 11 anos uma qualidade de vida imprecionate todas as guloseimas que ela quer e eu acomapanho sua alegria de viver embora eu neste momento esteja separado de sua mãe . Olha como o senhor tem sensibilidade em suas veias.Um abraço.

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