Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Crise ou vocação?

1 comentário

Encerradas as inscrições para um concurso aberto pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para provimento de 500 vagas de Oficial de Justiça, o número de inscritos assusta: 323.071 candidatos. Na capital, foram 87.120 interessados e em Santos 16.475. Todos pretendem ingressar no Poder Judiciário para perceber mensalmente R$ 3.150,97, mais auxílio para alimentação, saúde e transporte, em jornada semanal de 40 horas.

A carreira de Oficial de Justiça precisa ser repensada, para fazer com que esse funcionário ganhe relevância maior e seja um “longa manus” do Juiz. Uma extensão do magistrado, que não pode estar em todos os lugares onde é preciso e que necessita de um servidor que o substitua.

Isso porque a tradicional missão do meirinho – esse o nome tradicional herdado das Ordenações – é a comunicação dos atos judiciais. Com o avanço da informática e das chamadas TICs – Tecnologias da Informação e da Comunicação – o chamamento das pessoas a juízo, as intimações e notificações podem ser feitas virtualmente.

O que se indaga, diante desse interesse, é se as pessoas que se inscreveram sabem o que as aguarda quando nomeadas. Os oficiais de justiça muita vez são obrigados a cumprir mandados em regiões perigosas. São ameaçados. Quem não quer ser encontrado usa de todos os subterfúgios para escapar à força da Justiça, que ele – oficial – representa.

Em compensação, um bom aguazil – outro nome tradicional para a mesma função – consegue cumprir sua carga de mandados de forma proficiente em tempo menor do que as quarenta horas semanais. Com isso, tem boa disponibilidade temporal para se dedicar a outros afazeres ou, principalmente, para estudar com intuito de outro concurso.

Como porta de ingresso a uma carreira pública o concurso é interessante. Para qualquer outra atividade posterior, importante conhecer a trincheira, como é que se realiza a justiça “na ponta da linha”. Mas por outra vertente, o número excessivo de candidatos parece evidenciar outra realidade. O intuito não é ingressar na Justiça, mas obter emprego. Coisa cada vez mais rara neste turbulento início do século XXI.

Prevê-se que, dentre os inscritos, muitos são profissionais de nível superior em outras áreas, que não conseguem sobreviver neste caos pós-moderno.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail:

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Crise ou vocação?

  1. Sou um deles vou para a trincheira e vencer as pegadinhas das bancas examinadoras é um inferno ser um Oficial concerteza é preciso mais bom não são todos os oficiais que fizeram concurso esta porta esta cada vez mais estreita e os Juyizes precisam de pessos com esppirito aquazil interessante. Um abraço.

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