Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Dá para viver sem TV?

3 Comentários

A TV é a babá eletrônica de grande parte dos lares em todo o mundo. Ela tomou conta dos lares. Está em todos os quartos das pessoas que podem adquirir o seu aparelho. E muitas que não poderiam, sacrificam-se para possuir o seu televisor exclusivo. Por mais que se critique a sua influência sobre a infância, os pais se acostumaram tanto a ela que nem percebem sua dependência. Quanta vez, são eles mesmos que fazem os filhos permanecer várias horas por dia diante da programação. Com isso, liberam-se do trabalho de inventar brincadeiras, responder perguntas e administrar a hiperatividade, hoje tão frequente.

A Inglaterra se submeteu recentemente a um teste. Numa cidade do interior, dez famílias se dispuseram a viver quinze dias sem TV e também sem computador. Foram embora os jogos eletrônicos e os aparelhos que estavam espalhados pela casa. Havia TV na cozinha, nos quartos, na sala e em uma casa, até no banheiro. As crianças sabiam que esse período seria curto: duas semanas. Mas aceitaram fazer outras coisas. Descobriram os irmãos como companheiros de folguedos, em vez de cada um se trancar no seu quarto. Os pais foram mais exigidos. Mas, ao final do período, se deram conta de que a vida se tornara familiar, convivencial, fraterna. Conversou-se mais, brincou-se mais, redescobriu-se o prazer de que se olvidara quando todos estavam entregues à inércia da comunicação na telinha.

O mais interessante foi que a experiência tinha o objetivo de verificar a ocorrência de alguma alteração na conduta escolar das crianças. Aqui, muito pouco se alterou. Mas no âmbito doméstico, a mudança foi significativa. Várias famílias se dispuseram a prolongar o experimento, agora com ânimo definitivo. Algumas tiraram a TV dos quartos dos filhos. Outros estabeleceram horário para assistir à programação. Quase todos incorporaram os hábitos da fase “TV out” para o convívio mais consistente então instaurado. Na verdade, não se propõe o abandono da TV. Mas fazê-la instrumento a serviço da família, não a tirana domadora de nossa vontade e dona de nosso tempo. Vamos tentar fazer isso, ainda que sem provocação?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Dá para viver sem TV?

  1. Eu faço algo bem legal eu deligo sempre que posso o silencio vale ouro.

  2. Dr. Renato:
    Na maioria das casas a TV só fica desligada quando falta energia elétrica. Sem dúvida, é um meio de entretenimento das crianças. O problema é a falta de diálogo que gera nas famílias. Algumas programações veiculadas, se os pais ou adultos não estiverem perto para explicar que determinados comportamentos estão errados ou não são saudáveis, as crianças tomam como modelo, pois normalmente estão sozinhas ou com crianças de idade semelhante. Além de limitar a criatividade, perdem a vontade de brincar. Eu não vejo as crianças da minha rua, brincando de roda,casinha, amarelinha, pulando corda e outras brincadeiras caracteristícas da infância. No máximo, jogam bola. Sem falar , do sedentarismo que muitos estudos demonstram ser uma das causas do excesso de peso de crianças na mais tenra idade e com todas as consequências que já conhecemos: perfil lipídico alterado, hipertensão etc. Enfim, acho que precisamos lidar com a realidade que a tecnologia existe, é atrativa e tem benefícios, mas simultaneamente buscar formas de resgatar ” velhos costumes”, como conversar, ouvir a resposta, brincar e usar a criatividade que tem ficado adormecida, por receber tudo pronto. Parabéns pelos excelentes artigos que sempre escreve e que sempre me levam a refletir . Um abraço.

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