Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Falso dilema

1 comentário

O povo americano, às vezes, parece padecer de certa infantilidade. Acostumado a pensar que é “dono do mundo”, ostenta sintoma de transtorno bipolar. Faz do maniqueísmo sua rotina: é republicano ou democrata; a favor ou contra o aborto; a favor ou contra uma reforma da saúde; contra ou a favor da intensificação de relações com a Comunidade Européia… e assim por diante. Há certos consensos: todos são contra o fundamentalismo islâmico, a imigração latino-americana, os mexicanos, os benefícios sociais outorgados aos imigrantes.

Ainda enfrenta questões superadas em países considerados menos desenvolvidos. Ali ainda se debate se é melhor a mulher trabalhar e ter uma carreira ou permanecer dentro de casa. Os argumentos são piegas, de lado a lado. Optar pela carreira é egoísmo. Abandona-se a valia maior da criança. Perde-se o seu desenvolvimento. Mas permanecer em casa significa sacrificar a carreira. Mutilação de uma parcela importante de um ser que se não satisfaz apenas com a maternidade.

As mulheres que têm seus filhos pequenos enfrentam o conflito interior – o que fazer, diante das cobranças de sua consciência – e o exterior: marido e família opinam e querem decidir o destino alheio. Aquelas que escolheram a profissão têm remorsos, porque acreditam haver desleixado a educação da prole. As que permaneceram no lar sentem-se desvalorizadas. Os próprios filhos as rotulam de “dona de casa”, especialista em trivialidades banais. Esse dilema é falso e parece ter sido melhor solucionado no Brasil. Não é a permanência dentro de casa que torna a mãe melhor e seus filhos incólumes às vicissitudes da vida contemporânea. A qualidade da relação é que interessa.

De nada adianta não trabalhar fora de casa – porque dentro dela toda mulher consciente de fato precisa atuar – se os filhos ficam entregues à “babá eletrônica”: a televisão. É preciso atentar a que tudo tem ao menos dois lados. O que interessa é fazer o melhor possível, de acordo com sua vocação pessoal e ir em frente. Há erros e acertos em todas as escolhas. Ter humildade e compreensão para aceitar outras concepções de vida familiar. A prática mostra que não existe um único modelo. E isso é bom: prova da exuberância do gênero humano, insuscetível de padronização. 

 

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Falso dilema

  1. Os filhos eles precisam de nós o tempo todo e isso é muito envolvente não pode haver distancia. Um caso de uma inspetora de alunos de minha cidade já aposentada era muito seria se não tinha preguiça de tirar um aluno do patio e levar para a diretoria ela orelha. Mas como mãe tinha um filho deficiente que viveu um bom tempo a seu lado deu tudo de si para esse jovem colocou ele na guarda mirim chamava chiquinho era interessante ver a cena desfilava ao lado de sua mãe a mesma o levava para o comviveo com outras pessoa chuiquinho babava muito ela numca tinha preguiça de limpara aquela baba essa sim dona Marcilha uma funcionária exemplar da Secretaria de Educação que jamais recocheceu seus prestimos além de ser esta mãe que nunca desistiu de dar dignidade a seu filho chuiquino.

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