Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O ato de desembrulhar

Deixe um comentário

 

Para suportar a angústia destes tempos, há quem recomende escrever, amar e plantar. Angústia gerada pela certeza de que o mundo não está bem. Diga-se o que vier à cabeça dos que enxergam tudo azul, a verdade é que as ameaças estão cada vez mais próximas.

Ameaças de cataclismo a partir da insensatez com que se trata o mundo. Insensatez de não se levar a sério o aquecimento global, a destruição inclemente da mata, a deterioração da atmosfera, do solo e da água. Ameaças resultantes de uma desigualdade crescente, produtora da revolta dos excluídos. Aos poucos, eles tomam consciência da marginalidade e se tornam mais cruéis.

Escrever “esvazia o sótão” repleto de ideias funestas. Plantar propicia alguns momentos de distração. Amar é mais complicado. Porque ninguém se satisfaz em amar gratuitamente. A mercantilização do amor exige reciprocidade. E há uma equação irresolúvel nesse labirinto: se você depender de outra pessoa para ser feliz, desista! Ninguém é responsável por sua felicidade.

Os “males do amor” atormentam principalmente a juventude. Desilusões, amargas decepções, desencantos. A traição que chega sorrateira, quando menos se espera. O desespero e a convicção de que nunca mais se conseguirá amar. Quem já não passou por isso?

Os moços já cresceram nesta sociedade hedonista e consumista que exige adequação física às expectativas gerais e a urgência de se estar “up to date”. Quem não atende à receita “fitness” ou não se submete aos comandos “fashion” não está com nada! Aqueles que não se sentirem satisfeitos com isso podem recorrer à lição socrática. Foi Sócrates quem popularizou a síntese de vida proposta pelo oráculo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”. Quem não se conhece, não consegue se fazer amado.

Não se preocupe com o que vier, pois é só risco e incerteza. Nem olhe para trás: encontrará ressentimentos e remorsos. Não espere nada de fora. Procure a solução de seus problemas dentro de você mesmo. Será que não resta nada para “desembrulhar” dentro de sua alma? Todos os recônditos já foram explorados? Será que não vale a pena você investir em se conhecer melhor e se reconhecer como indivíduo que nasceu para ser feliz?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s