Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um século de sonhos

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27 de novembro de 2009, a Academia Paulista de Letras completa um século de existência. Foi fundada na mesma data, em 1909, mercê do entusiasmo de um médico carioca: Joaquim José de Carvalho. Quis a Providência – o acaso é a lógica de Deus – que um jundiaiense estivesse a presidi-la no ano do centenário. Quando poderia imaginar o menino humilde, filho de um marceneiro, que viria a ingressar num cenáculo em que pontificaram Mário de Andrade, Paulo Setúbal, Monteiro Lobato, Guilherme de Almeida, Vicente de Carvalho, Altino Arantes, Roberto Simonsen, Júlio de Mesquita Filho? E que fruiria do privilégio inenarrável de conviver com Miguel Reale, Lygia Fagundes Telles, Ignácio de Loyola Brandão, Ruth Rocha, Paulo Bomfim, Anna Maria Martins, Ives Gandra da Silva Martins e Gabriel Chalita?José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Foram 202 os paulistas e residentes de São Paulo que já integraram esta Casa de Cultura encarregada de tutelar o idioma, estimular a leitura e a escrita, incluídos os atuais integrantes. Não poderia antever que ocuparia a mesma cadeira de um jundiaiense ilustre, a cujo sepultamento estive presente em 1962: a legenda chamada José Feliciano de Oliveira. Físico, matemático, filósofo, astrônomo, relutou em aceitar a condição de fundador e depois ocupou a Cadeira 40 desde 1909 até 1962. Figura heráldica, cabelo e cavanhaque alvo, pince-nez azul. Nutri sempre o maior respeito e veneração pela APL. O primeiro vislumbre de integrá-la – pretensão inaudita! – veio com a generosa insinuação de Rubens Teixeira Scavone. Cuja mãe, a romancista Maria de Lourdes Teixeira, foi a primeira mulher eleita para a Casa do Arouche.

Muito depois, o empenho de Mariazinha Congilio, que não chegou a ser eleita, embora tivesse méritos para tanto. Em seguida, Paulo Bomfim, Lygia Fagundes Telles e outros amigos que me incentivaram a disputar a vaga deixada pelo desembargador Odilon da Costa Manso em 2000. Perdi para Paulo José da Costa Júnior, por 13 a 22. Não esmoreci, pois os 13 amigos prenunciavam a permanência da campanha. Fui eleito na vaga de Duílio Crispim Farina, recebi o carinho de tantos amigos em uma posse envolvente e fui Secretário-Geral da gestão Ives Gandra. Devo a este a presidência da APL, para a qual fui reeleito com 29 dos 33 votantes, para o segundo e último biênio: o do Centenário e o ano de 2010. Vivam a APL e seus primeiros cem anos de existência alimentada por um sonho: o de fazer do Brasil um País de pensadores, aqueles que escrevem e leem o melhor vernáculo.

 

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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