Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

É coisa pouca

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Custa a crer que os Estados Unidos e a China ainda se recusem a honrar os compromissos vitais em relação ao clima. O Protocolo de Kyoto não foi levado em consideração por eles e mesmo antes de se iniciar a reunião de Copenhague, eles negam a intenção de estabelecer limites para as emissões. O máximo que se conseguiria não passa de aproximação tímida com os parâmetros de há algumas décadas.

Entretanto, o mundo piorou muito desde então. As calotas polares se derretem celeremente. Quem já não assistiu aos ursos se equilibrando sobre blocos dispersos, na certeza de que perecerão? O descontrole climático é mais do que o SOS da natureza. É o testemunho clamoroso da insensatez humana. Mísera criatura, frágil e efêmera, não se peja em destruir o único planeta que o acolhe.

O risco em relação a um tema global é que a pessoa pode se sentir impotente e, nesse caso, nada fazer. Quando ela efetivamente pode fazer alguma coisa. O governo precisa ser bombardeado com a manifestação uníssona da vontade popular de que a questão ecológica seja levada a sério.

Uma Constituição que tem um artigo como o de número 225 precisa valer e não servir como proclamação retórica. O constituinte quis uma Democracia Participativa e isso significa atuar, decisivamente, na gestão da coisa pública. Sempre é conveniente recordar que se o povo não pode compelir o governante a “fazer o bem”, ele ao menos pode impedir que o governo “faça o mal”.

Neste caso, fazer o mal é permanecer omisso, leniente, conivente com aqueles que não levam a sério as contínuas ameaças – hoje convertidas em dano real – emitidas pela natureza. Um governo perdulário em tantas questões, algumas delas efetivamente merecedoras de interesse, não pode relegar a ecologia a uma desatenção. Pouco ou nada se faz, em termos governamentais, pela verdadeira educação ambiental.

Esta é a chave de transformação da sociedade. A outra é aprender com o sofrimento. Quando o litoral já não existir na beleza com que milhões de anos e de cuidados providenciais o elaboraram, aí talvez se acorde e se convençam os poderosos de que tutelar a natureza não é coisa pouca.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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