Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A nobreza do circo

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Não é raro que alguns exaltados, com a pretensão de ofender, chamem certos encontros ou ocasiões de “circo”. Compreende-se o intuito, mas a ofensa pode ser considerada uma falácia. Ou seja: circo é atividade lícita, pura em sua origem, destinada a trazer alegria e entretenimento à população sofrida.

Normalmente, quem vai a circo é pessoal humilde da periferia. Só ali ainda se apresentam os circos. Marcos Frota, um grande artista, dedicou-se a formar novos artistas no seu “Circo-Escola”. Não são todos os que têm condições de participar das apresentações do “Cirque de Soleil”, uma exitosa empresa que percorre o mundo inteiro e que gerou o resgate dessa arte milenar.

O picadeiro é o lugar da coragem. É preciso ser muito destemido para enfrentar um público circularmente distribuído por todos os espaços. O artista se apresenta no centro e é acompanhado pelos olhares que provêm de todos os lados. Trapezistas, domadores, equilibristas, acrobatas, são artistas que treinam, investem na sua formação, arriscam todas as noites a sua vida. E continuam a treinar durante todo o tempo, convencidos de que há noites boas e outras nem tanto.

Existe atividade mais nobilitante do que a do palhaço? Fazer rir com a espontaneidade, às vezes com o ridículo, com o “non sense”, é missão de que poucos sabem se desincumbir.
Quando criança, li um romance “A filha do diretor do circo”, muito interessante. Convivi, também, com uma família circense, cuja filha estudava pela manhã no melhor colégio oficial da cidade e à noite atuava no circo de sua família.

Lugar de pessoas que se sacrificam. Que dependem da presença espontânea do público. Que não sabem se terão recursos para sustentar os animais, para pagar a energia elétrica, para recuperar a lona debilitada, para comprar alimentos.

Somente alguém destituído de consciência pode pretender se servir do verbete “circo” para ofender alguém. Além disso, evidencia cuidar-se de alguém infeliz, que não tem senso de humor e que, provavelmente, não consegue encontrar graça em nada e em ninguém. Desconfio tenha dificuldades até para se mirar no espelho.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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