Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

São Luiz e a fé

1 comentário

A tragédia que se abateu sobre São Luiz do Paraitinga não pode ser comparada com a catástrofe no Haiti. Aqui, foram 200 mil os mortos. No Vale do Paraíba, a heráldica cidade tombada perdeu uma vida humana. Óbvio que vida é algo de absoluto e não deixa de ser doloroso esse desaparecimento. Mas o que pensar de uma nação inteira que se esfacelou?

Passado o pesadelo, começam a surgir explicações. A imagem de barro de Nossa Senhora das Mercês, com 200 anos, foi encontrada com o rosto intacto entre os escombros. Modelada em terracota, deveria ter-se esfacelado na água. Como ocorreu com a taipa de pilão. O rosto perfeito é considerado um milagre pela população da cidade.

É uma devoção antiga e a Virgem foi reproduzida em estado de gravidez, como Nossa Senhora do Ó e Nossa Senhora da Expectação. O encontro foi um sinal de esperança para a reconstrução do casario. Mas uma parte considerável dos 11 mil habitantes da cidade atribuem a destruição a um castigo divino. Para eles, embora com nome de Santo, a urbe se esqueceu de Deus e partiu para divertimentos pagãos. A ‘Festa do Saci’ atrai mais gente do que a Festa do Padroeiro.

Esses crentes dizem que a população deve agora se voltar para Deus, que mandou um sinal. Outros invocam a ingratidão de parte dos moradores para com os sacerdotes. Os ingratos teriam tratado os padres de forma análoga àquela que os residentes de Sodoma dedicaram aos anjos, na tentativa de salvar os pecadores. “Aqui tem muita lágrima de padre”, diz D.Olga Pires Fontes, de 85 anos. “Cada padre que vem aqui sai sentido com alguma coisa. Conheço uns oito que saíram chorando daqui feito criança!”

Mesmo os técnicos que veiculam a versão técnica para o desastre – elevados índices pluviométricos e sistema arcaico de escoamento – reconhecem as coincidências da explicação religiosa. Uma delas é a única parede de uma casa que ficou em pé, era justamente aquela que tinha um crucifixo. E as imagens de santos têm sido encontradas em perfeito estado.

Ainda veiculou-se o rumor de que o padre Osmar, de Lagoinha teria previsto a tragédia e afirmado que as águas chegariam à Matriz e em São Luiz não haveria carnaval este ano. O padre não confirma os boatos.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “São Luiz e a fé

  1. Dr., o mais extraordinário na imagem de Nossa Senhora das Mercês reside no fato de que ela é uma das únicas imagens no mundo (talvez a primeira em escultura) que representa a Virgem em estado gravídico. Outa incrível analogia está no Cristo crucificado que resistiu ao terremoto no Haiti – a única parte da Igreja Matriz que resistiu ao tremor! Coincidência ou providência?????

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