Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Do albergue a Harvard

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Uma jovem afrodescendente chamada Khadijah tem sido paparicada pela mídia norte-americana. Ela foi moradora de rua, dormia em abrigos improvisados – nos Estados Unidos, quem não vai para albergue morre congelado! lá não dá para ficar nos bancos das praças ou nos desvãos das lojas – e hoje estuda em Harvard.

Como foi que ela conseguiu? Ela tributa à mãe essa força que a motivou a vencer a predestinação. Enquanto viva, a mãe ensinou-a a crer nela mesma e a não desistir. Quando estava no terceiro ano da escola pública, tinha dificuldades em memorizar tabuada. A professora a advertiu que se não decorasse, não passaria de ano.

Passou noites em claro, insistiu e aprendeu a hoje esquecida tabuada. Na avaliação nacional não só teve bom desempenho em matemática, mas acertou quase 99,99% das questões formuladas. Ao concorrer a uma vaga em Harvard, uma das melhores Universidades do mundo, foi-lhe perguntado: – “Além do que aprendeu na Escola, como é que você se considera preparada a vencer desafios?”.

Ela respondeu mais ou menos o que segue: “Sei procurar por alimento quando sinto fome. Sei me agasalhar quando sinto frio. Soube fugir do recrutamento para me prostituir. Enfrentei os exploradores do comércio sexual que me diziam que sendo negra e pobre, nada alcançaria na América. Recusei a minha cooptação para o tráfico e soube dizer “não” às drogas.

Sempre consegui voltar para o meu abrigo, a qualquer hora da noite, sem medo de caminhar pelas ruas. Nunca perdi a esperança de conseguir algo melhor”. Foi admitida, obteve bolsa integral e hoje é apontada como modelo para muitos jovens americanos em situação idêntica. Os Estados Unidos evidenciam a tétrica situação econômica dos dois últimos anos.

Ali não foi “marolinha”, mas verdadeiro tsunami nas estruturas de um Estado que já se considerou “dono do mundo” e que ainda é paradigma do “bem-estar de todos”. Mas a trajetória e a força de vontade da Khadijah devem estimular moços de outros países. Mesmo daqueles em que parece prevalecer a regra do “não faça esforço, porque o Estado cuidará de suprir suas necessidades”. Conquistar com luta o próprio espaço vale sempre a pena.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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