Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

É virtuoso quem quer

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O mundo precisa de pessoas mais virtuosas. De cafajestes já está pleno. Na concepção aristotélica, “as virtudes são de algum modo decisões intencionais ou, mais exatamente, elas não existem sem uma decisão intencional. A virtude do homem será também (como a visão faz que o olho seja bom) um estado que torna o homem bom e que lhe permite conduzir sua obra própria a bom termo”. Foi também Aristóteles quem elaborou a doutrina do “justo meio”: uma virtude é a medida viva entre o excesso e a falta.

Essa linha de divisão que delimita o justo meio característico a toda virtude. Entre a avareza e a prodigalidade, a virtude é o meio-termo. Não confundir com a mediocridade, com a mornidão, que segundo o Apocalipse, implicará em exclusão do rol dos eleitos. De posse de tais conceitos, em muita gente intuídos, é que o ser humano pode esboçar o seu projeto ético de vida. Projeto que incumbe a ele executar, pois depende apenas dele optar pelo rumo que imprimirá à sua trajetória existencial.

A responsabilidade é individual. Enquanto Sócrates dizia “ninguém é mau de bom grado”, Aristóteles retruca: “o mau é de bom grado”. A pessoa escolhe ser má, é sua opção trilhar o caminho errado. A “escolha preferencial” está em lugar de honra na consciência humana. Não é apetite, impulsividade, anseio: é uma decisão tomada por inteira responsabilidade do agente provido de razão. É preciso constatar uma grave anomalia mental para privar alguém da condição de centro de imputação.

Ou da situação de alguém capaz de responder por seus atos. A pessoa normal – ou que pretenda ser normal – deve saber-se capaz de atitudes sensatas. Tomadas após meditação e deliberação. Ser acometido de dúvidas é humano. Mas a dúvida tolerável é a metódica: hiato para chegar à decisão. É necessário banir a banalidade do “com certeza”, para assumir a responsabilidade de decidir.

Assim como deve ser vedada a dúvida sistemática, aquela que impede a pessoa de tomar uma deliberação e a faz objeto inerte ao sabor dos acontecimentos. É virtuoso quem quer. Basta começar a praticar atos virtuosos e o resultado será afastar-se e manter-se afastado do mal. Grande obséquio que se presta à humanidade.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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