Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Design inteligente

3 Comentários

Uma polêmica artificial é aquela gerada entre os que sustentam o criacionismo e os que seguem o darwinismo exacerbado. Ou seja: entre os que acreditam que o Universo é fruto de um design inteligente, cujo autor se chama Deus ou qualquer outro nome possa merecer e aqueles que atribuem a vida a uma grande explosão: o Big Bang. Penso que a discussão é artificial porque o criacionismo não descarta o evolucionismo. Fé sem razão tende ao fanatismo, enquanto que razão sem fé não explica o sentido último da aventura humana. A fé precisa da ciência, como a ciência precisa da fé.

O sociólogo britânico Steve Fuller, recentemente entrevistado, trouxe alguns argumentos interessantes para a reflexão. Comentou ele a proibição, nas escolas da Inglaterra, a que os professores lessem um singelo comunicado no sentido de que o darwinismo não é a única explicação para o surgimento da vida no planeta. Complementavam que a biblioteca do colégio dispunha de livros contendo outras teses e que estes se encontravam à disposição dos interessados.

Uma espécie de fundamentalismo inspirou essa vedação. Por que impor ao alunado uma única tese, se esta não é a exclusiva explicação para o surgimento da vida na Terra? O pensador Steve Fuller perfilha o criacionismo. Trouxe outros argumentos para reforço dessa opção. Eles são ponderáveis. Se o homem é a conjugação de fenômenos naturais ocorridos neste planeta, não parece insólito que suas preocupações ultrapassem os lindes terrenos? Como justificar o anseio cósmico desta criatura frágil – o caniço pensante – propensa a desvendar os segredos do Universo, do Cosmos, o enigma da vida, temas muito além daquilo que guardaria pertinência com um ser vivente originado nesse pequeníssimo planeta?

Só a inserção da consciência humana num grande projeto, naquilo que é hoje conhecido como design inteligente é que autorizaria concluir a superação dos limites da criatura considerada racional. O darwinismo que não admite a intervenção de Alguém fora da esfera humana ao traçar os destinos da humanidade precisaria fornecer outra resposta para a presente indagação. Como é que a vida surgida por acaso numa pequena esfera de um universo infinito nutriria essa vocação à infinitude?

Reflexo de que a alma humana possui algo de indefinível, inexplicável e que não pode ser traduzido em linguagem circunscrita aos que se satisfazem com o Big Bang. Como se um grande quebra-cabeças, de 5 mil peças, ao ser arremessado aleatoriamente para o alto, caísse de forma a recompor o desenho de que se originou e isso pudesse vir a ser atribuído ao acaso.

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Design inteligente

  1. O problema do criacionismo é que sua base é teológica e não científica, pois a afirmação do desing inteligente não tem base metodológica nem experimental e se funda tão-somente na crença de uma força superior.

    Daí porque é ridículo querer obrigar professores de ciência a comentar teologia disfaçada de péssima ciência.

    O equivalente seria querer que escolas de catecismo ensinassem religião a partir da ciência.

    O resto é desoniestidade intelectual de quem defende teologia com vestes de péssima ciência.

  2. Caro Professor!
    Muitíssimo interessantes as suas ponderações.

    Acredito pessoalmente que a Verdade é algo muito maior do que as pequenas verdades que acessamos e pensamos possuir, e mesmo a aparentemente mais ingênua teoria, pode conter parte da Verdade que buscamos.

    Como espírita, posso compreender bem sua afirmação de que “a fé precisa da ciência, como a ciência precisa da fé”, pois entendo, pautada no Espiritismo, que tudo provém de Deus, mas de uma forma natural. Não proveria a ciência também de Deus? Acredito nisso de toda a alma.

    A fé e a ciência somente aparentam contradizer-se, tanto por causa da mania humana de querer possuir prioridades quanto a Verdade, quanto porque, por mais inteligentes que sejamos, ainda permitimos que essa mesma inteligência seja ofuscada por imperfeições morais tais como o orgulho.

    Quando o ser humano compreender que Deus é mais do que avaliamos ser, e que Ele age de forma natural; quando entendermos que Ele não tem pressa, e não objetiva para nós um sentido imediato, mas futuro e positivo, então talvez estejamos mais próximos de perceber que a fé que diz que Deus é amor, justiça e bondade, é também é parte da ciência, quando esta observar que toda a obra natural é de perfeição inigualável, demonstrando ter sido promovida com muito amor, justiça e bondade por parte de seu Criador.

    Grande abraço, grata pela oportunidade de reflexão.
    Vania

  3. Só sei de uma coisa meu nobre quando surgiu aquela criatura que agora esta com 11 anos uma jovenzinha na minha vida aonde posso dedicar todo meu amor de pai todos os dias pois trabalho a noite Deus existe mesmo. Tem morrido pessoas tão jovens é a vida por isto vovemos o hoje o amanha não chegou o ontem não volta mais eu gosto da nossa amizade.

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