Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Viveremos a democracia direta?

1 comentário

Quem estuda a Democracia aprende a concluir que sua forma direta é inviável. Mesmo no período áureo de Atenas, o século de Péricles, era restrita a poucos cidadãos que se reuniam na ágora, a praça de deliberação helênica. Somente os livres, não escravos, que pudessem permanecer sem trabalhar. Os trabalhadores eram excluídos, mulheres e estrangeiros também. Mas parece que o ciberespaço, o mundo virtual, abriu a esperança de que as pessoas venham a ser consultadas e efetivamente opinem sobre a gestão da coisa pública. Em virtude da eleição de Barack Obama, que se serviu da rede das infovias para se comunicar com o povo, essa oportunidade mostrou-se viável.

Durante a campanha ele disse: “Somos aqueles por quem estivemos esperando”, como a que sinalizar a abertura. A partir da posse, as agências federais foram orientadas a liberar online informações antes sigilosas. Repórteres da internet foram chamados às coletivas de imprensa. O portal Data.gov permite à cidadania criar aplicativos para analisar dados do governo. E instaurou-se a “crowdsourcing”: a solicitação via internet aos cidadãos para que deem ideias políticas e a permissão para que votem nas propostas uns dos outros. Também foi criado o “Citizen´s Briefing Book”, um resumo de sugestões da cidadania online, para que todos enviem ideias ao Presidente.

As mais bem classificadas são impressas e reunidas numa pasta como aquela que o Presidente recebe todos os dias como sinopse. O documentário inglês “Us Now”, pinta um futuro no qual cada cidadão estará conectado ao Estado tão facilmente quanto ao Facebook. Poderá escolher políticas, questionar políticos, colaborar com a comunidade. Será que podemos nos autogovernar? É a indagação que surge naturalmente. Vive-se uma era de experimentação democrática. Todos somos consultados constantemente pela internet. James Fishkin, cientista político de Stanford, analisa o fenômeno em seu livro “When People Speak” (Quando o Povo Fala). Mas também as mentiras se espalham como rastilho de pólvora. Cabe a nós decidir o que queremos dessa democracia online. No Brasil, tudo é mais lento. Em lugar de votar pela internet, somos surpreendidos pela volta do voto em papel… 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Viveremos a democracia direta?

  1. O que deveria ser aberto se fecha mais veja os Foruns das Comarcas abrem depois do almoço para o povo e somenteo Jurista Bahiano Calmon de Passos tinha coragem de dizer que esta do lado do balcão e precisa do Poder Judiciário e que é o ser importante no mais até ao meio dia os funcionarios vão todo dia dar um piãozinho revezado emquanto o povo espe, espera o meio dia é bricadeira.

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