Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A tragédia anunciada

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A Cidade Maravilhosa virou Cidade Caótica. Chuva demais, planejamento de menos, vira catástrofe. As explicações meteorológicas são racionais. Mas a verdade é que a irracionalidade inspirou a ocupação das encostas. Não poderia deixar de ocorrer outra coisa: o deslizamento, a destruição das moradias, a morte de seres humanos.

A origem das favelas foi a reforma urbanística levada a efeito pelo Prefeito Pereira Passos. Influenciado pelo embelezamento de Paris, derrubou o casario colonial e abriu largas avenidas. Permitiu que a pobreza levasse o material da demolição para os morros. As elevações já eram o refúgio de alguns moradores. Mas não havia a densidade atual, que só foi intensificada a partir daí.

O remédio teria sido a remoção das residências toscas e frágeis. Por inúmeros motivos. Primeiro, porque a faixa de terra sobre os terrenos rochosos é muito reduzida. Não é preciso muito para que ela escorra e deixe a pedra nua, levando tudo o que estiver sobre ela. Segundo, porque a natureza levou milhares de anos para ultimar aquela cobertura vegetal que tornou o Rio de Janeiro a mais singular conjugação entre mar e mata, a merecer sobrevivência mediante mera exploração do turismo.

A leniência do governo, que permitiu o adensamento, vai de encontro ao ideal urbanístico e à preservação de vidas humanas. Não levou a sério a tutela ambiental, não seguiu os parâmetros urbanísticos, não se respeitou a estética e a vocação turística da cidade. Breve retrospecto das ocorrências análogas mostra os anos de 1966, 1986 e 1996 como causadores de mortes por inundações e deslizamentos. 2010 vem com intensidade maior. Será que agora se fará algo mais consistente, com vistas à Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016?

O problema carioca não é de clima, nem de solo, nem de excepcionalidade de intempéries. É uma questão política. Os cariocas precisam escolher melhor os seus governantes. É um estado provido de belezas naturais que não podem ser sacrificadas por um inadequado exercício do poder, que só existe se vier a atuar em favor da coletividade.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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