Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Onde está a coerência?

5 Comentários

Hoje é a chamada quinta-feira santa. Dia em que os populares falam do Lavapés. Noite em que Jesus Cristo reuniu seus discípulos no cenáculo, ofereceu-lhes uma ceia e, antes do ato mais relevante, lavou e beijou os pés de cada qual. Essa lição de humildade parece sobressair, pelo insólito, àquilo que é o mistério sobre que se assenta a fé cristã. Foi durante a refeição com os amigos que Jesus prometeu que estaria com eles até o final dos séculos. Não em espírito, ou em memória, ou em lembrança, ou em presença simbólica. Estaria em pessoa, consubstanciado na matéria, mediante a maravilha da Eucaristia.

Quem é, senão o cristão, que pode participar dessa verdadeira comunhão? Quem é que tem seu Deus à disposição, pronto a ouvir suas queixas, disponível para confortar em suas aflições, companhia permanente e a todos oferecida, sem que se exija mérito algum de parte dos beneficiados? Bendita a religião que oferece essa maravilha a seus fiéis. Tantos dos quais não costumam pensar no real significado dessa presença. É espantoso que se afirme a crença no sacramento da Eucaristia e não se evidencie um culto mais fervoroso em torno ao sacrário.

Uma pergunta que sempre me atormentou. Quando estudante, um colega, que se dizia agnóstico, comentou comigo: – “Se eu professasse uma religião que me prometesse a presença contínua do meu Deus num lugar, eu permaneceria todas as horas possíveis junto a Ele! Vocês se dizem católicos, passam toda a hora diante da Igreja e não entram para cumprimentar o seu Deus!” É verdade e me penitencio disso. Como somos fracos e falíveis! Como somos ingratos! Mesmo assim, Ele continua a chamar, a perdoar, a acolher e a preferir os mais enfermos.

Aqueles que, dois mil anos depois, ainda não aprenderam a vivenciar a regra de ouro do “amai-vos uns aos outros”. Parece que a humanidade retrocedeu. Pois no início da Cristandade, o sinal que caracterizava os cristãos era a fraternidade real. A expressão “vede como se amam” era comumente aplicada aos primeiros mártires. Será que hoje ela ainda vale? Será que nós nos identificamos pelo amor cristão que nos une? Hoje é um dia especial para se pensar nisso.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “Onde está a coerência?

  1. Eu penso que , por vezes, em determinados momentos a humanidade tem andado para tras e ainda ha tempo para revertermos essa situacao!

  2. Agradeço pela lição.

  3. Excelência, vale o cumprimento pela bela edição do livro de fotos sobre a APL, que tive a oportunidade de conhecer na livraria da Imprensa Oficial. Adquiri-lo é tarefa para os próximos meses. Abraços

  4. Olá caro Professor! Duas coisas me chamaram atenção especial em seu texto. Quando seu amigo agnóstico falou sobre cumprimentar Deus em sua “casa”, não passou pela imaginação dele que o Criador não está fora, mas dentro de nós. Podemos estar em paz com Deus, estar em relação com Ele, sem tem que adentrar a uma igreja, centro espírita ou templo qualquer. Ah, se Deus exigisse nossa presença em recantos especiais, o que seria daqueles que não acessam tais lugares ou conhecimentos lá ensinados!? Não, não creio nesta distância toda do ser que chamamos de Pai. Mas a partir do raciocínio de Deus estar aqui e acolá, dentro, assim como fora de nós, a frase posteriormente colocada “o sinal que caracterizava os cristãos era a fraternidade real” é completamente válida. Estando Deus em tudo, mas especialmente no amor, para que Ele exista na prática de nossas vidas, somente através deste sentimento (amor), e não esse amor hipotético que anda na moda, frio e distante, quase sempre interesseiro e passional, mas daquele que se pratica no gesto nobre, na caridade, no sentimento de fraternidade contido na mão estendida.

    Professor Nalini, já fiz outro comentário em post anterior, mas não apareceu, espero que este dê certo. Quero dizer-lhe também que admiro seu trabalho e a postura coerente entre o que ensina e como age. Abraço!

  5. Esta semna estava meditando olhando um pé de rosas vermelhas que fica enfrente meu quartoemais umpé de figo todos produtivos os botões de rosa a se abrir e os figos pequenos crecendo estav muito melencolico neste momento aquela cena me aliviou pois não posso produzir rosa e figos em meu corpo mas posso viver no mundo das palavras isso é maravilhoso .

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