Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Só 50 anos de atraso?

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O Brasil adora se comparar aos EUA. Verdade que em 1946, o geógrafo Preston James afirmou que os brasileiros querem colher os frutos sem querer plantar a árvore. É a política do “jeitinho”, da “cordialidade” brasileira aplicada “pro bono sua”. Isso explica a constatação feita pela consultoria americana Bain & Company, de que o Brasil de 2010 é exatamente os EUA dos anos 40/50 do século passado. Em aviação, há 1 passageiro embarcado a 4 habitantes. O Brasil é o 6º maior produtor de veículos, mas em termos de penetração de mercado por habitante é os States dos anos 40.

A mesma percentagem de rádios em domicílios: 87,0% e a de aparelhos de TV – 96,4% – é a dos Estados Unidos na década de 70. Para chegar aos Estados Unidos das décadas de 50 a 70, o Brasil deveria progredir muito nos próximos 20 anos. E não parece que vá ocorrer isto, pois corrigir o retrocesso acelerado em termos educacionais é quase impossível. Os ufanistas dirão que é errado comparar um emergente com uma potência com PIB dez vezes maior. O PIB norte-americano é de 13 trilhões de dólares e a renda per capita é de 48.562 dólares. No Brasil, o PIB é de 1 trilhão e o per capita 5.640. Exatamente igual ao do americano na década de 30.

O retrocesso não é apenas em cultura. Há dados objetivos: em 2006, somente 136 cidades brasileiras tinham oferta de voos regulares. 206 a menos do que em 1948, quando 342 localidades contavam com linhas oficiais. Mas é na mentalidade que o Brasil fica na rabeira. Estamos com 29% de formados no ensino médio, idêntica à percentagem americana dos anos 40. Os formados em universidade são 10%, análoga à dos anos 60 nos Estados Unidos. Mas quem ousaria comparar Harvard, Yale, Columbia ou Berkeley aos nossos conglomerados da universidade particular.

Há diferenças entre eles, mas aquelas afeiçoadas à franchising não hesitam em colocar quatro turmas na mesma sala, subterfúgio às claras para enganar o MEC e economizar professor. Os Estados Unidos distribuíram sua renda. O Brasil concentrou a sua. O americano tem orgulho de sê-lo. O brasileiro se envergonha de suas chagas. Tanto que o sonho de consumo da maior parte da nacionalidade é levar o filho à Disney. Mesmo que na volta encontre esta generalizada falta de perspectiva.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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