Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Cozinha saudável

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O inglês Jamie Oliver é um desses fenômenos televisivos da culinária contemporânea. Seus programas são difundidos mundialmente e como é jovem e simpático, agradam vários públicos. Dentre os ´chefs´ em voga, é aquele que mais se ocupa da “cozinha saudável”. Ou seja: seu interesse não é somente ensinar a produção de pratos apetecíveis. Ele se preocupa com a obesidade da criança inglesa, que consome aqueles alimentos de uma era em que a mãe ou trabalha e não tem tempo, ou simplesmente não quer saber de permanecer na cozinha. Há casas, na Inglaterra, em que sequer existe mesa: todos comem no sofá, diante da TV.

Isso vale também para nós, brasileiros. Os salgadinhos, as guloseimas e os refrigerantes  constituem sedutora fonte de caloria. A gordura se acumula e sua nefasta influência se agrava em virtude do sedentarismo do infante moderno: quantas horas uma criança permanece à frente da TV ou do computador, com os seus infinitos e instigantes “games”?

Por levar a questão a sério, Jamie Oliver resolveu implementar um projeto bastante diferente na cidade de Rotterham. Núcleo industrial densamente habitado, sua população consumia a comida típica daqueles que não têm tempo a perder: congelados, sanduíches e salgadinhos. Tudo acompanhado de refrigerante gasoso.

Começou com um grupo pequeno, ao qual Jamie ensinou a fazer pratos simples e rápidos. Mas nutritivos e saudáveis. Cada integrante deveria transmitir a receita a outro grupo. Com isso, a cidade toda seria contaminada para uma revolução salutar: mudar os hábitos alimentares.

Em seguida, ele convenceu as indústrias a permitirem que seus empregados cozinhassem no horário das refeições. Fez uma prova muito bem sucedida, em que mil pessoas aprenderam a elaborar um prato rápido. Gente que nunca cozinhou gostou da experiência. Ele deixou em Rotterham um ´Ministério da Comida´, núcleo de propagação desse hábito e com a intenção de também motivar as crianças a cozinharem.

Cozinhar é necessário para uma saúde melhor e pode ser um prazer e um aprendizado de partilha e solidariedade, tão necessário à integral formação do caráter das pessoas. Esta é uma lição que poderia ser copiada, em lugar de tantas outras – nocivas ou desnecessárias – tão a gosto da cultura colonialista ainda predominante nesta terra.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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