Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A paixão intelectual

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O livro “As Paixões Intelectuais”, de Elisabeth Bedinter, é uma leitura interessante para qualquer pessoa que integre uma entidade cultural. Contempla a atuação das Academias Francesa e de Ciências, instituições que exerceram enorme influência no pensamento universal no século XVIII. A autora incursiona pelos meandros do funcionamento interno das Academias, notadamente a ambição dos acadêmicos e dos pretendentes ao seletivo ingresso a esse grupo hermético. Vale tudo quando se cuida de entrar ao seleto conjunto de intelectuais. Uma vez lá dentro, a atuação valetudinária continua: agora para dominar os demais e exercer liderança.

Várias personalidades célebres e outras nem tanto desfilam pelo primeiro volume. Maupertuis, por exemplo, era uma figura que eu desconhecia. Exerceu, porém, papel de relevo na dinamização do convívio acadêmico. Àquele tempo, nas primeiras décadas de 1700, a matemática, a física e a química eram as ciências mais prestigiadas. As letras eram menosprezadas. Os encontros acadêmicos eram destinados à leitura de longos estudos científicos, notadamente para contrapor Newton a Descartes. Outros eruditos ali comparecem e um outro lado de suas vidas é explorado. A ambição por integrar o meio acadêmico, o comparecimento aos inúmeros salões em que a intelectualidade brilhava em meio a saraus e consumo etílico.

Encontramos, por exemplo, Rousseau, Voltaire, Montesquieu, Diderot e D’Allembert, estes os autores da famosa “Enciclopédia”, mas que apenas sucederam a um esquecido Abade Jean Paul Gua de Malves, inicialmente encarregado de elaborá-la. Sabe-se que Diderot foi, posteriormente, o principal formulador dessa obra. Além de recrutar os colaboradores, andava às voltas com a censura, que não queria permitir a publicação do conjunto de livros. Maupertuis era vaidoso e, durante um período, exerceu evidente poderio sobre a Academia Francesa. Quando viu declinar sua influência, substituída pelo advento de vários outros jovens intelectuais, atendeu a um convite do Rei da Prússia e foi para lá, fundar a Academia na Alemanha. Só mesmo a leitura do livro para se inteirar das tramas da Academia Francesa, que são as mesmas hoje detectadas nas Academias que nela se inspiraram.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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