Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Rosa Scavone

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Se fisicamente viva fosse, ROSA SCAVONE teria completado um século no último dia 9 de junho. Por aquilo que significou, ela mereceria comemoração condigna. Avessa a homenagens, simples em sua nobreza natural, houve singelo encontro em torno ao altar de Nossa Senhora do Brasil, com poucos familiares e amigos.

ROSA SCAVONE nasceu em berço de ouro, na propriedade rural que levou o nome de sua padroeira – Fazenda Santa Rosa – filha de um pioneiro na indústria brasileira, LUIS SCAVONE.

Infância privilegiada numa era de certa estabilidade no Brasil, ainda eminentemente ruralista. Muitas viagens à Europa, com o glamour que hoje os voos internacionais perderam. Viajava-se “de vapor”, aqueles navios que carregavam malas e baús com pertences e voltavam mais carregados ainda, com alimentos, tecidos, móveis e obras de arte.

Essas longas temporadas no exterior, principalmente na Itália de origem, asseguraram uma educação requintada à jovem que preservou sua elegância e aplomb durante toda a vida. Tanto que suas recepções eram paradigmáticas. Ela realmente sabia receber. Contemplava todos os convidados com idêntica atenção. Não elegia os favoritos, nem estabelecia a hierarquia de importância daqueles que recebia. Permanecia serena, completamente à vontade, enquanto o convívio transcorria ameno e feliz.

Mas não foi como anfitriã que ROSA SCAVONE se notabilizou e reservou o seu nicho na História. Foi como benemérita, devotada a causas nobilíssimas, quais a do combate ao câncer. Incansável no trabalho de motivação, de conscientização e de captação de recursos. Os quais sempre em maior parte provinham de seu patrimônio. Generosa, caritativa, sem procurar os holofotes da mídia, sem propalar seu trabalho cívico e cristão. Verdadeiro paradigma de cidadã partícipe e prestante.

Exerceu com sapiência as virtudes e suportou estoicamente as vicissitudes que a vida reserva a todo ser vivo. Tivera registrado em diários ou livros as suas lições de convívio e o mundo teria ganho obra predestinada a enriquecer as letras universais. Privilegiados fomos os que privamos de sua amizade. Crescemos em compreensão do mundo e da natureza humana os que fomos coetâneos da inesquecível ROSA SCAVONE, a grande dama de Itatiba e do mundo.


José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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