Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Uma divina utopia

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Pedro Yamaguchi Ferreira era um jovem de 27 anos que se formou em Direito na PUC-SP, conseguiu aprovação no exame da OAB e tinha tudo para “vencer na vida”, segundo os parâmetros que sua geração considera válidos. Mais até do que outros, teria condições de alcançar estágio privilegiado no mundo consumista. Pois extremamente inteligente, expansivo, com facilidade de se comunicar. Se isso não bastasse, nasceu num lar muito especial. Seus pais constituem exemplo de família bem constituída. Ambos escolheram o caminho da doação solidária e são líderes respeitados na comunidade. Pois Pedro não se prevaleceu das circunstâncias favoráveis.

Elegeu um caminho inçado de surpresas. Condoeu-se da sorte daqueles por muitos esquecidos e que – na verdade – seriam os legítimos proprietários das terras brasileiras: os indígenas. Aceitou partir em missão para a diocese de São Gabriel da Cachoeira, no longínquo norte do Amazonas. Ali continuou o trabalho iniciado em São Paulo junto à Pastoral Carcerária. O município tem 97% de sua população pertencente a uma das 23 etnias ali encontradas. No primeiro dia já se entrosou com os times de futebol, sua paixão corintiana. Viu duas equipes em campo e se apresentou ao banco reserva, com chuteira e calção. À primeira defecção, foi chamado e se mostrou um craque.

Ganhou a camisa 10 e a amizade de todos. Viu que dentre os encarcerados, alguns já haviam cumprido a pena e outros poderiam merecer benefícios. Aproveitou cinco deles para o trabalho de reforma da sede diocesana. Incutiu neles o entusiasmo pela oportunidade de reinserção. Cativou a comunidade em três meses de atuação. Foi tomar um banho no Rio Negro e a correnteza o levou. Imolou-se em trabalho evangélico e deixou esta vida, tão jovem e tão promissor, como paradigma a servir de inspiração para a mocidade sem rumo que parece predominar com sua carência de valores. Alice e Paulo Teixeira têm todos os motivos para se orgulharem de seu primogênito. Seduzido por uma divina utopia, ele é semente apta a produzir os frutos da renovação de que a Humanidade está sequiosa e cada vez mais necessitada.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Uma divina utopia

  1. Professor, se eu fosse uma pessoa que não estudasse as leis de Deus através dos esclarecimentos espíritas, me perguntaria como tantos o fazem, “porque Deus leva mais cedo os bons?”. No entanto, jamais questionaria os desígnios divinos, especialmente quando se trata de uma pessoa como Pedro.

    Os exemplos de uma vida bem aproveitada são quase incomuns, e é bom ver um jovem servindo de modelo daquilo que seria o mínimo desejável a todos os seres humanos – entendamos isso como inteligentese capazes de discernir entre o bom e o mau, o certo e o errado.

    Surpreendemo-nos com aquilo que apenas alguns poucos fazem, quando todos deveríamos fazer, já que a capacidade de agir com fraternidade em todas as áreas das atividades humanas, é facilmente desenvolvida pelo homem quando este olha o outro como fosse a si mesmo.

    Quanto ao Pedro, pena que foi embora antes de seu exemplo enraizar-se mais profundamente em mais corações. Mas se não fosse sua partida, estaria eu o conhecendo através de suas palavras? Não foi a morte que o trouxe até mim como a tantos que o leem, Professor? E não será assim que ele se tornará mais vivo e mais exemplar?

    Acredito que não há mal que não se transforme em bem, e Pedro fez o bem também através das suas mãos, quando nos contou da viagem de volta ao lar que ele fez antes de todos nós.

    Grande abraço.

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