Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

As tetas inexauríveis

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Ninguém acredita que o Brasil possa continuar a subsistir, tantas e tão profundas as vulnerações perpetradas contra o erário. Existe disseminada cultura no sentido de que o tesouro é infinito, dele podendo se extrair recursos ilimitados. Se houver falta de numerário, o Estado poderá emitir mais cédulas, no seu poder soberano de não prestar contas à lógica.


Os golpes contra o dinheiro do povo são praticados sem remorso. Quase tudo que o Poder Público faz – não se generalize, pois há exceções cada vez mais excepcionais – é mais dispendioso, mais demorado, mais eivado de equívocos. As grandes obras representam espaço propício a “fazer caixa” para alimentar a indústria eleiçoeira. Para isso contribui a ineficiente lei das licitações. Obrigado a contratar pelo menor preço, mesmo o governante bem intencionado – e ele não é ficção; existe de fato! – não pode ajustar o melhor serviço ou fornecimento.


Com isso, sujeita-se à avença temerária, que será interrompida em pleno curso e implicará em custo maior e em atraso na entrega. Enquanto isso, o que se pratica à margem da lei é expedito. Daí a adequada denominação de “criminalidade organizada”, que prospera porque insubordinada ao cipoal normativo que pretende impor lisura à atuação estatal.


Em outra vertente, a Administração é considerada a provedora de todas as necessidades e a supridora da carência de trabalho para um mercado jovem e sequioso por empregos. Daí a vocação assistencialista de se multiplicar bolsas, auxílios, ajudas, subsídios e outras benesses. Ao mesmo tempo em que se inflam todas as repartições públicas de servidores cooptados à luz dos interesses eleitorais.


Há um excesso de funcionários públicos em todos os setores. Visão deformada e anacrônica de administração preserva quadros funcionais inadequados e quiçá desnecessários. Adicione-se o festival de criação de novos municípios, após 1988. Cada qual com sua Prefeitura, Secretarias, cargos efetivos e em comissão. E com sua Câmara Municipal, idem, idem. Tudo, sem falar na corrupção endêmica, a sugar as tetas combalidas, mas aparentemente inexauríveis, da sacrificada nação brasileira.


José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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