Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Eu me odeio!

1 comentário

Esta a expressão de algumas mulheres ao contemplar seu perfil no espelho ou ao se pesarem após o banho matinal. A obesidade é um enorme problema de saúde, física e mental. Um livro da americana Geneen Roth fez sucesso no primeiro semestre de 2010, nos Estados Unidos. Chama-se “Mulheres, Comida e Deus” e tenta explicar a compulsão por se alimentar diante da carência religiosa. As pessoas têm fome de algo mais substancial do que chocolate. Sentem falta de algo mais transcendente. De uma crença. De uma confiança ou esperança de que se ressentem na rotina de uma existência tão semeada de angústias.

À falta de Deus, mergulham na alimentação compulsiva. Diz a autora que seu livro poderia ter vários outros nomes. “Mulheres, álcool e Deus”, “Mulheres, moda e Deus”, “Mulheres, filhos e Deus”. Mas o livro também serve para os homens. As dependências não são exclusivas do sexo feminino. Ao contrário: atingem qualquer ser humano. Como é frágil a criatura da espécie que se considera a única racional. A vulnerabilidade e a pretensão constituem duas características ínsitas ao humano. Ser que vive algumas décadas e pronto: o encontro com a morte é inevitável. Mesmo assim, se comporta como se fora viver eternamente.

Briga com ânimo de definitividade. Propõe-se amealhar bens que durarão mais do que ele. Quando quer dinheiro, luta com verdadeira obsessão. Não há limites para a ganância, como se houvesse tempo vital suficiente para se gastar, apenas com a subsistência, tudo o que juntou. Na verdade, o livro de Geneen Roth oferece algumas verdades e serve para um exame de consciência. Comer é prazeroso, mas não pode substituir outras carências. O corpo é uma parte essencial para se viver bem, mas nada substitui o espírito. E o alimento da alma é imprescindível.

Gordura não preenche o vazio de uma consciência desmotivada. O melhor prato nada significa para quem sabe que não encontrou finalidade para esta curta experiência existencial. Quem se entrega, desenfreadamente, ao consumo de alimento, de álcool, do fumo e de qualquer outra forma geradora de dependência, na verdade não se encontrou. Quem reconhece sua finitude e sua vocação para o infinito é que saberá reencontrar o equilíbrio, fonte de serenidade e daquilo que se convencionou chamar saúde.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, Editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Eu me odeio!

  1. Não só a compulsão com o alimento e os vícios diversos surgem com fins de desviar a atenção ao vazio da alma. A depressão é doença que tem o mesmo objetivo: adoece-se por falta de motivação, de atitude, de prática da caridade, do reconhecimento de que existe algo além de nós mesmos – a depressão é doença física, mas de caráter eminentemente moral, e sua cura não passa exclusivamente pelos medicamentos de tarja preta, mas pela vontade e pela atenção voltada ao lado espiritual de nossas vidas.

    Abraço!

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