Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Brasil em chamas

2 Comentários

Este 2010 viu crescerem de forma avassaladora os focos de incêndio em todo o País. É verdade que a seca é fator agravante da situação. Os índices de umidade abaixo de 20% propiciam o surgimento de incêndios provindos de combustão natural. Esse fenômeno já suscitaria reflexões quanto aos malefícios perpetrados pelos homens à natureza. Por que se amplia a desertificação? Por que o regime pluviométrico já não é o rotineiro e o esperado para a atual estação?

Mas essa é apenas uma parte da realidade. A mídia noticiou que cientistas insuspeitos constataram o início criminoso do fogo. Este começou ao lado de estradas, de rodovias, de lugares freqUentados pelo homem. Indaga-se: a quem servirá a extinção da cobertura vegetal?

O retrocesso constatado no tratamento que o Brasil dispensa ao meio ambiente não reside apenas na principiologia proclamada na Eco-92. A leniência do Poder Público, o descaso geral reforçado pela exitosa tentativa de se mutilar e se descaracterizar o Código Florestal, tudo vai na mesma linha de desprezar o que o constituinte afirmou em 1988. Uma tutela efetiva sobre a natureza, meio ambiente elevado à categoria de bem de uso comum de todos, essencial à sadia qualidade de vida. Bem confiado ao zelo dos viventes, não apenas para propiciar saudável existência para as atuais, como – principalmente – para autorizar que sobrevivam as gerações do porvir.

O fogo acaba com a mata – ou com o cerrado – mas elimina a biodiversidade e a fauna silvestre. Isso está acontecendo em todas as regiões. Mesmo em zonas conurbadas, onde restam fragmentos de vegetação, os incêndios proliferam. As últimas onças, lobos, derradeiros espécimes da riquíssima primitiva fauna brasílica não têm mais onde se esconder. São apreendidos nos quintais e assustam crianças que nunca viram um animal a não ser o frango congelado.

Aviões não conseguem aterrissar ou decolar em aeroportos situados em áreas de queimada. E ainda existe quem defenda a limpeza da palha de cana-de-açúcar com aposição do fogo. Talvez venham a merecer, num futuro imprevisível, o calor daquele lugar cujo cão de guarda se chama Cérbero.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Brasil em chamas

  1. Olá, Professor!

    As queimadas são fator de importante e significativa degradação ambiental.Em caso de incêndios provocados, penso que anteriormente à degradação ambiental, já havia ocorrido a degradação moral do(s) responsável (is) pelo ato lesivo ao meio ambiente.
    Como o senhor bem explica em seu livro “Ética Ambiental”, o princípio da prioridade da reparação específica do dano ambiental, positivado em nosso texto constitucional, está a determinar o dever de buscar a reparação do dano provocado.
    Portanto, não vale mais a idéia de que “queimou, está queimado e pronto”. Além de arcar com a responsabilidade, os agentes têm a obrigação de reparar o dano. Daí em diante a situação se complica na prática, pois com freqüência a solução não é simples, como o senhor mesmo explicita.
    No que respeita a outros fatores ambientais que motivaram as alterações climáticas, penso que a única solução possível é a conscientização de todos. A responsabilidade é solidária no que se refere ao meio ambiente.

  2. Caríssimo Professor Renato Nalini

    Acompanho seus trabalhos (artigos e palestras) e recebo-os como verdadeiras aulas de cidadania e política oferecidos para a o deleite de seus admiradores.
    Porém, este do JJ de hoje (23/09/2010) deveras elucidativo para os eleitores e leitores. Parabéns em fazer com que a primavera abrolhe também na cultura do dia-a-dia de todos nós.

    Valderez Ana Maria de Mello Cornacchione

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