Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Relativismo cultural ou moral?

2 Comentários

Uma das discussões insolúveis em termos morais é aquela em torno à indagação: – A moral é absoluta ou relativa? Para argumentar no sentido de que a relatividade é a norma – e isso atende à tendência de se escolher à la carte a conduta moral – invoca-se o relativismo cultural. Nunca se recusou a realidade de que os costumes variam conforme a latitude. Isso ocorreu na antiguidade e continua a ocorrer. Nas civilizações primitivas, era comum o sacrifício das crianças que nascessem com defeitos. Assim como não indignava a opção de se deixar morrer o idoso, quando já não pudesse contribuir para a manutenção do grupo.

Hoje ainda vigoram hábitos que podemos considerar estranhos, mas são contemporâneos nossos. O papel da mulher, em alguns países, é diverso quando se confrontam oriente e ocidente. Assim como a monogamia é a regra entre nós e a poligamia vigora alhures. Daí resulta que a moral também é uma questão cultural? Não existe um mínimo de absoluto em termos morais? Pode-se afirmar que o certo e o errado é uma questão empírica? É simplesmente uma questão de se contemplar o que normalmente ocorre? Se o relativismo cultural for levado a sério, a primeira consequência é a impossibilidade de se afirmar que costumes de outras sociedades são inferiores aos nossos.

Em seguida, a ideia de “progresso moral” estaria invalidada. Se tudo vale, por que se acreditar em ascensão moral? A partir daí, a ideia de “reforma social” também estará comprometida. Idealistas como Mahatma Gandhi, Martin Luther King e outros não teriam contribuído com nada para o aperfeiçoamento do convívio entre os homens. O certo é que alguns valores estão presentes em todas as culturas e em todas as épocas. Sem isso, as sociedades não subsistiriam. Assim, há menos divergências do que possa parecer. A diferença está no sistema de crenças, não no sistema de valores. No mais, reconhecer a diversidade cultural enriquece a todos. É edificante respeitar opiniões alheias, para reformar ou reforçar as próprias. E crescer moralmente é obrigação de cada pessoa sensível, consciente e desejosa de melhorar o mundo.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Relativismo cultural ou moral?

  1. Olá, Professor!

    Concordo com o senhor, no sentido de que, a depender de como e ponha a questão, o relativismo existe.
    Se estamos falando de fatos e costumes ao longo da Hitória e por todo o planeta, a idéia de realtivismo é válida.
    Entretanto, penso que nas civilizações ocidenatais, a moral vigente atualmnete é fundamentada em valores religiosos, ou seja, judaico-cristãos. São os valores contidos na Bíblia. A religião é, em meu modo de ver, a principal fonte de valores morais e cultuaris de uma sociedade. Por sua vez, esses valores podem ser, ou não, positivados em Estados cuja ordem jurídica não é teocrática. Não há modo de dissociar esses fatores, visto que estão imbricados entre si.
    Os ilustres homens pelo senhor mencionados eram profundamente religiosos e espeiritualizados. Martin Luther King era pastor e Gandhi professava o hinduísmo.
    Gandhi, ao estudar Direito na Inglaterra, absorveu alguns do valores daquela cultura. para a sorte do povo indiano, foi seletivo e escolheu apenas os que estavam de acordo com a sua generosa pessoa. Na Índia, ele era muiot amigo de um padre católico e sempre respeitou e assimilou alguns valores do cristianismo. A seu modo, ele praticava uma espécie de sincretismo religioso.
    Aqui em nosso País, onde a tolerância (não necessariamente aceitação, mas apenas tolerância em alguns casos) a costumes diferentes é praticada, refiro-me à maioria da população e não a alguns pequenos e poucos grupos extremistas, o sincretismo já aconteceu e é a regra.
    Entendo que quando se fala em relativismo cultural, em muitos casos o que se quer significar é relativismo moral. A palavra “cultural”, no caso, soa mais suave e mais leniente à maioria dos ouvidos, que a palavra “moral”.
    A prova disso, em meu pensar, é a existência da hipocrisia. Porque valores como honestidade, integridade, os mandamentos de não matar, não roubar, não mentir, não lesar o próximo, não cometer adultério etc., continuam estabelecidos e, “em teoria”, aceitos e praticados por todos. Se existe a metira, a dissimulação , o ato de esconder a prática de certas atitudes, é porque existem valores estabelecidos que não deveriam ser contrariados.

  2. Olá, Professor!

    Concordo com o senhor, no sentido de que, a depender de como e ponha a questão, o relativismo existe.
    Se estamos falando de fatos e costumes ao longo da Hitória e por todo o planeta, a idéia de realtivismo é válida.
    Entretanto, penso que nas civilizações ocidenatais, a moral vigente atualmnete é fundamentada em valores religiosos, ou seja, judaico-cristãos. São os valores contidos na Bíblia. A religião é, em meu modo de ver, a principal fonte de valores morais e cultuaris de uma sociedade. Por sua vez, esses valores podem ser, ou não, positivados em Estados cuja ordem jurídica não é teocrática. Não há modo de dissociar esses fatores, visto que estão imbricados entre si.
    Os ilustres homens pelo senhor mencionados eram profundamente religiosos e espeiritualizados. Martin Luther King era pastor e Gandhi professava o hinduísmo.
    Gandhi, ao estudar Direito na Inglaterra, absorveu alguns do valores daquela cultura. para a sorte do povo indiano, foi seletivo e escolheu apenas os que estavam de acordo com a sua generosa pessoa. Na Índia, ele era muito amigo de um padre católico e sempre respeitou e assimilou alguns valores do cristianismo. A seu modo, ele praticava uma espécie de sincretismo religioso.
    Aqui em nosso País, onde a tolerância (não necessariamente aceitação, mas apenas tolerância em alguns casos) a costumes diferentes é praticada, refiro-me à maioria da população e não a alguns pequenos e poucos grupos extremistas, o sincretismo já aconteceu e é a regra.
    Entendo que quando se fala em relativismo cultural, em muitos casos o que se quer significar é relativismo moral. A palavra “cultural”, no caso, soa mais suave e mais leniente à maioria dos ouvidos, que a palavra “moral”.
    A prova disso, em meu pensar, é a existência da hipocrisia. Porque valores como honestidade, integridade, os mandamentos de não matar, não roubar, não mentir, não lesar o próximo, não cometer adultério etc., continuam estabelecidos e, “em teoria”, aceitos e praticados por todos. Se existe a metira, a dissimulação , o ato de esconder a prática de certas atitudes, é porque existem valores estabelecidos que não deveriam ser contrariados.

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