Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Lugar de gente feliz

3 Comentários

Não é o que você está pensando! Falo da Dinamarca. É a nação que tem os habitantes mais felizes em todo o planeta. Por que será? População controlada. Não se produz criança por distração, ou para receber bolsa-família. Não se passa a vida a alimentar sonhos de consumo. O espaço de cada residência é o mínimo necessário para se viver. Compra-se – a cada dia – o que se vai consumir. Não se padece da síndrome do racionamento. Por isso, as geladeiras podem ser pequenas. Desnecessária a despensa. Não há classe média. Porque todos ganham quase o mesmo.

Dessa forma, não é necessário pensar em carreira à luz de “quanto vou ganhar?”. Escolhe-se de acordo com as afinidades, os talentos, o prazer em desempenhar uma função. O imposto de renda é dos mais elevados do mundo? É. Chega a 50% do salário. Mas com algumas diferenças: o que sobra é mais do que suficiente para se viver condignamente. E o governo assegura: saúde de primeira, educação de qualidade, cidades limpas, proteção ao ambiente. Não há pessoas dormindo nas ruas. A segurança é tamanha que as crianças podem ficar em carrinhos, a dormir em pleno passeio.

Lá de cima, enquanto se ocupa das tarefas domésticas, a mãe de quando em vez verifica se o seu bebê acordou. Não se tema sequestro, nem furto, nem roubo. A vocação da mulher não é necessariamente o casamento. Seu sonho é realizar-se como pessoa, como profissional, como cidadã. Por ser auto-suficiente, garante auto-estima, amor próprio elevado. O que a faz também amada. Despreocupe-se com o desemprego. Se você perder o emprego, o governo pagará a você 90% do seu salário durante quatro anos.

Enquanto isso, propiciará cursos de reciclagem e a colocará numa bolsa de empregos. Parece sonho? Não é. É o país que integra a Escandinávia, onde a ética está presente, a ponto de os fabricantes serem responsáveis pelo ciclo de duração de seu produto. Não há “desmanches”, nem carcaças de veículos arremessados aos terrenos baldios. Estes também não existem. São transformados em parques. Enquanto isso, leia jornais, ligue a TV, olhe pela janela. Em que país você vive? Chegaremos um dia à condição de vida escandinava?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Lugar de gente feliz

  1. O que o Brasil precisa fazer para ser como a Dinamarca?

  2. Acredito que só voltando no tempo, na época da colonização.

  3. “Orelharias”
    Meu nome é Roberto Leal de Figueiredo, 50 anos, sou casado, engenheiro civil e moro em Barretos-SP. Há cinco anos, próximo à minha residência, entrou em operação uma Estação de tratamento de esgoto publico composta de lagoas anaeróbias. O projeto foi executado parcialmente e localizado em local impróprio e desprovido de qualquer recurso para controle de emissão dos gases emanados na atmosfera. Perturbados com o mau-cheiro reunimo-nos com documentos e um abaixo-assinado da população vizinha, fazendo uma representação ao Ministério Publico, que por sua vez moveu uma Ação Civil Publica contra o Serviço de Água e Esgoto de Barretos (SAAE) para que complementassem a obra, bem como se instalassem mecanismos de eliminação dos odores produzidos ali. (Processo nº 066.01.2005.000142). Cinco anos se passaram e a promotoria não conseguiu compelir a autarquia a regularizar o empreendimento que está há mais de cinco anos funcionando com licenças precárias emitidas pela Agencia da CETESB de Barretos.
    Inconformado com o fato, resolvi consultar pela Internet as leis e normas que regem o licenciamento e operação destes empreendimentos. Não acreditei no que vi! A Agencia Ambiental da CETESB em Barretos simplesmente ignorou sua própria norma ao aprovar a localização e construção do empreendimento, e vem desrespeitando ao meu ver, pelo menos 5 artigos do DL 8468 em prejuízo da população vizinha, onde me incluo.
    Munido de ingenuidade e indignação resolvi denunciar o fato à Ouvidoria da CETESB-SP através de ofício, fotos e documentos, que foram protocolados em 01/10/2010 sob o nº 012327 , cuja resposta obtida foi dada em 20/10/2010. (Ambos os documentos estão anexados ao e-mail anexo).
    A Ouvidoria meramente redirecionou a minha denuncia para o próprio denunciado (Agencia Ambiental de Barretos) esclarecer, o que resultou em… NADA, pois a Agencia, como de costume, não se compromete em comentar as infrações por ela cometidas. Simplesmente ignora, se postando como Paulo Maluf quando entrevistado; o repórter pergunta sobre Ilha Jersey, Maluf fala sobre o Metro de SP. Bom, se por um lado a minha ingenuidade termina aqui, a minha indignação não tem mais medidas.
    Insistindo no capítulo “Ouvidorias”, encaminhei à Ouvidoria da Secretaria do Meio-Ambiente de SP, denuncia sobre o atendimento recebido pela Ouvidoria da CETESB. Nem resposta recebi. Devo estar tentando me comunicar com um ente publico que se faz surdo dos dois Ouvidos, não? Melhor renomeá-las “Orelharias”, existem mas não têm função fisiológica alguma, apenas estética.
    Estou desanimado em brincar de ser cidadão no Brasil. Isto pode custar uma vida toda de decepção.
    Nosso Governo promulga leis que ele próprio não lê, comete erros que nunca vê. Não respeita a mim, não respeita a você.
    Gostaria que o Sr. recebesse este e-mail não como uma minha tentativa de que o Desembargador venha a interceder por mim. Não procuro por favorecimentos. Mas sim, peço um conselho sobre o que me resta fazer, uma orientação a quem nunca teve a devida atenção do órgão publico estadual responsável pelo Meio-ambiente, em relação às graves denuncias formalizadas contra uma de suas Agencias Ambientais, nem no âmbito de apurar as negligências havidas nos licenciamentos concedidos, muito menos a observar meus direitos de respirar um ar saudável, explicitamente garantidos pelo Decreto estadual 8468, que são diuturnamente ofendidos… pelo subscritor da mesma lei.
    Por favor, uma luz! O que posso tentar ainda? Resta alguma coisa ainda ou devo começar a aprender dinamarquês?

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