Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Cuidado com o psicopata

3 Comentários

O mundo está cada vez mais louco. Os sintomas são manifestos e só não percebe isso quem não quer. Ou quem já está também a caminho da loucura. Na verdade, o que é a absoluta higidez mental? Existe um padrão para a saúde da mente? Alguém ainda é capaz de conservar equilíbrio, serenidade, segurança interior, fruir da plenitude do sentimento de “estar de bem com a vida”? Quem já não notou que as pessoas falam sozinhas com frequência maior? É a piada – de mau gosto – de que o esquizofrênico nunca está só. Está sempre a falar com alguém. Ou seria resultado do fechamento dos hospícios, asilos de loucos, sanatórios para enfermidades mentais?

Num dos últimos “Roda Viva”, programa que já esteve a cargo de Jayme Martins na TV Cultura, a entrevistada foi a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa da Silva. E ela se mostrou articulada, concatenada, convincente. Mas, sobretudo, segura em sua concepção do que seja a psicopatia. Vale a pena comprar o CD e assisti-la. Afirmou que os psicopatas não têm emoção. Embora saibam o que é certo e o que é errado, eles não se deixam levar por essa distinção. Querem a autosatisfação em primeiro lugar. Lixam-se para as consequências de seus atos.

Psicopatia é uma condição genética e não é doença. De acordo com as estatísticas, para cada três homens psicopatas há uma mulher. A educação não pode “curar” a psicopatia, mesmo porque ela não é enfermidade. Mas pode modular a conduta psicopata. Recado para os pais que deixam seus filhos exercerem a tirania desde cedo. São reféns das crianças manipuladoras. Não as controlam. Temem o “traumatismo” da severidade. Algo que ficará exacerbado com a proibição da “palmada”.

O psicopata sabe exatamente como se comportar em relação à sua vítima. Esta nem sempre será morta por ele. Mas será usada para as suas finalidades. Por isso, Ana Beatriz recomenda se desconfie dos gestos melífluos, daquela amizade que surgiu de repente e já adivinha os seus desejos. Da pessoa que, aparentemente, se identifica com quem conheceu agora. E se torna logo “amigo de infância”. Pode não ser um homicida, mas um psicopata que não vai matar você, mas pode matar seus sonhos, suas esperanças e sua confiança em outros seres humanos.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Cuidado com o psicopata

  1. Olá, Professor!

    Interessantes e importantes as informações pelo senhor referidas.

    Não consegui comprar o CD, mas o assunto merece ser comentado.

    A mudança de classificação de doença mental para condição genética, por óbvio, não altera o comportamento das pessoas portadoras dessa condição; mas pode vir a alterar as conseqüências desses atos.

    Um bom exemplo de um psicopata é o personagem do filme “Prenda-me se for capaz”.

    Tanto o enfoque médico, como o social e o jurídico podem passar por alterações em face dessa constatação.

    Pelo enfoque médico, certamente haverá mudança de abordagem do problema.

    Pelo enfoque social, é importante e necessário que todos saibam da existência dessas pessoas e aprendam a identificá-las para aprenderem a se defender. Isto vale para relacionamentos pessoais, profissionais e sociais. Haja vista que, em alguns casos (o dos “serial killers”, por exemplo), a integridade física e/ou a própria vida da vítima estão correndo riscos.

    E, por fim, a partir do momento em que eles não são mais considerados doentes mentais e passam a ser considerados portadores de uma condição genética, como será o tratamento que o Direito lhes dará? A questão é relevante em todos os sentidos, mas penso que na esfera do Direito Penal, assume impotância evidente.

  2. A psicopatia é realmente algo assustador. Não ser doença mental? Nem sempre será. Parece mais adequado pensá-la como transtorno comportamental ao invés de exacerbada ou mera caracaterística genética. A par de não ser especialista no assunto, não posso entendê-la como consequencia genética apenas, mesmo porque não aceitamos a “teoria lombrosiana”. Tais indivíduos, sem perturbação de suas inteligências sofrem verdadeiros transtornos dos instintos, do temperamento, da efetividade e até do próprio caráter, que podem ou não levá-los ao crime. Às vezes poderão representar verdadeiro perigo social quando não tratados adequadamente. Pergunto:Como o Direito pretende tratar de tais cidadãos? Como reinserí-los adequadamente no meio social? Quando reconhecer a psicopatia como mola propulsora do fato criminosos?

  3. https://www.youtube.com/watch?v=eYla_l-VNvg – Norberto Keppe (A origem das enfermidades) [Procurar KeppeMotor]
    https://www.youtube.com/watch?v=XoU4YAhJzLY – Mito da Caverna de Platão
    https://www.youtube.com/watch?v=GpTuO6qym5w – Comentado por Saramago
    http://higherperspectives.com/life-lessons-aristotle/ – Lições por Aristóteles

    Estará a humanidade condenada? http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Asperger – Síndrome de Asperger

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