Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O outro Wes Moore

1 comentário

Nos Estados Unidos também há o fenômeno da homonímia. Pessoas com o mesmo nome de família e idêntico prenome. Um dos casos mais interessantes é o de Wes Moore, ambos jovens, ambos criados no Bronx, região problemática de Nova Iorque. Ambos sem pais. Um dos pais morreu de uma enfermidade estranha e a mãe, com os filhos pequenos, voltou para a casa de seus pais. O outro, de pai vivo porém ausente. Divorciou-se também dos filhos.

Ambos cresceram junto às gangues e ao tráfico do crack. Suas mães perceberam que iriam perder a batalha. Um deixou simplesmente de ir à escola. O outro frequentava mas não rendia o possível. Os dois começaram a ter más companhias. Uma das mães trabalhava como telefonista e deixou que as coisas acontecessem. A outra conseguiu que seus pais hipotecassem a casa para que o filho estudasse. Primeiro, matriculou-o em escola de nível, no outro lado da cidade. O garoto começou a enfrentar os problemas de sempre: era muito pobre perto dos ricos, muito pretensioso junto aos pobres. Desprezado por ambas as tribos.

Passou a facilitar também neste colégio e a mãe prometeu que se ele não estudasse, iria colocá-lo no Colégio Militar. E foi o que fez. Mandou-o para a Pensilvannia e de lá ele fugiu 5 vezes. Na última, telefonou à mãe e pediu socorro. A mãe disse que a família inteira havia se sacrificado para oferecer-lhe essa chance. Ele tinha 12 anos. Tentou mudar de vida. E mudou.

Terminou como o 1º classificado na turma de 750 alunos. Entrou em Harvard. Conseguiu bolsa para Oxford. Assessorou Condolezza Rice. É um dos fenômenos de Wall Street, aos 34 anos. E o outro? Participou de um assalto, foi acusado de matar um policial em serviço e está a cumprir pena de prisão perpétua.

O bem-sucedido escreveu uma carta para a prisão e obteve resposta. Depois de 200 horas de entrevistas, publicou o livro “O outro Wes Moore”. Conclui que as duas vidas poderiam ter sido as mesmas. A diferença foi a educação. Mas, antes disso, a mãe corajosa de dizer “não” e de cumprir as ameaças feitas a benefício de sua cria. Prometer castigos e não cumprir é nefasto. Importa mais à criança pensar que os pais se importam com ela do que se importar com o que pensam.


José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “O outro Wes Moore

  1. Prezado Sr. Renato Nalini,

    Minha filha foi aceita em uma universidade americana, onde conseguiu, com muito esforço, uma bolsa parcial. Indicaram a leitura desse livro antes do início das aulas. Estava pesquisando se havia publicação em português para que eu lesse simultaneamente a ela e comentássemos a respeito dele. Daí encontrei seu esclarecedor e empolgante artigo! Acredito que o melhor investimento que o responsável pode oferecer ao filho é em sua educação. Essa narrativa tem muito em comum com nossas vidas! Quero muito ler o livro…o senhor sabe se há em português?

    Muito obrigada!

    Rose

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