Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Que nojo!

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A Hegel era atribuída uma visão otimista da humanidade. Sua história poderia ser visualmente representada por uma espiral ascendente. O mundo dá voltas, mas a cada uma, a civilização ascende rumo ao progresso. Crença inefável na vocação de perfectibilidade da espécie racional. Nunca levei muito a sério essa concepção Polyana. Ao contrário, vejo nítido retrocesso naquilo que é mais fundamental. Os valores declinam, minguam, desaparecem. Cresce o acinte, o deboche, a insensibilidade. E a maior parte das pessoas parece haver perdido a capacidade de indignação. Aceita, inerte, passivamente, os mais torpes atentados ao belo e ao bom.

Noções análogas, pois ninguém recusará analogia entre ética e estética. Exemplo disso é a propaganda eleitoral. Aquilo que deveria educar, informar e esclarecer, está permeado de indecência. O termo não é exagerado, pois indecência é a qualidade, caráter ou condição do que é indecente. Inconformidade às regras do decoro, da moral ou dos bons costumes. Significa violação ao pudor, ao recato, à reserva socialmente exigida em matéria sexual. Seus sinônimos são falta de respeito, de consideração, desacato, descaramento, inconveniência, descompostura, obscenidade.

Um dos verbetes utilizados para o intercâmbio com indecência é justamente impolítica. O indecente é o abarroado, o asqueroso, o bandalho, chulo, desbocado, descomposto, descortês, impolido, impróprio, impudico, imundo, incivil, inconcesso, inconveniente e indecoroso. Nessa enxurrada de lodo que no horário nobre é despejada sobre um telespectador anestesiado, salvam-se algumas mensagens edificantes. Prepondera, contudo, a indigência moral e a mais absoluta agressão ao bom tom.

E pensar que o processo eleitoral brasileiro é confiado à Justiça, atuação calcada no direito, que não tem o direito de ser aético! Essa a mais consentânea leitura daquilo que Jellineck pretendeu enfatizar quando disse que o direito é o mínimo ético. A amplitude moral é abrangente e dela se escolhem comportamentos que não podem ser admitidos para se converterem no direito positivo. Lição que precisa estar na consciência daqueles encarregados de fiscalizar o volume, o tom e o ritmo da propaganda eleitoral.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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