Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A lenda do filho único

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No meu tempo, – já estou há muito tempo falando assim… – havia repúdio à tese do filho único. Lembro-me de ouvir com frequência que, por mais se educasse, ele seria sempre deseducado. Criança que cresce sozinha se torna egoísta, além da tristeza de não ter com quem partilhar. Fica traumatizada pelo resto de sua vida. Será verdade? Seguramente, não. O Brasil já é o país das crianças sem irmãos. E isso pode ser bom. Se em 1960 a média era seis filhos por casal, hoje não chega a dois. E há várias razões para isso. Hoje educar um filho é muito caro.

Por que trazer ao mundo novas criaturas que não terão um padrão adequado e só enfrentarão dificuldades? No livro “Family Size and Acheivement”, a autora Judith Blake diz que os filhos únicos têm melhor desempenho escolar. Tornam-se adultos mais bem-sucedidos profissionalmente. A experiência da solidão também é importante. Um só, mas bem criado, é preferível a muitos, mal criados. Quem possui um filho só precisa ter certos cuidados. Impor limites, para que a criança não se torne tirana.

Atentar para o excesso de proteção, que poderia privar o filho de experiências essenciais à sua formação. Fazer com que o filho conviva com outras crianças. Treiná-lo socialmente para que ele apreenda que conviver é necessário. Repartir também. O interessante é que as pesquisas evidenciam algo que empiricamente já poderia ser constatado. Quem possui condições econômicas de aumentar a prole, prefere o filho único. Aquela família – e nem sempre é família, mas há muitas mães sem marido nesta situação – que mal consegue sobreviver, tende a ter vários filhos.

Será que a distribuição de benesses pelo governo estimula essa atitude irresponsável? Não seria adequado insistir em planejamento familiar, para desestimular que se propague o “crescei-vos e multiplicai-vos”? O globo já está com excesso populacional. O futuro não se mostra auspicioso se o crescimento continuar nesse ritmo. Haverá reações naturais, que poderão parecer castigo ou injustiça. Mas é o ciclo inevitável de um planeta que já mostra sinais de exaustão. Pensemos nisso.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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