Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

E ainda somos racionais?

4 Comentários

Há questões humanas insolúveis – doença, envelhecimento, morte – mas há problemas cuja solução depende apenas da vontade. Um deles, apregoado como dos mais graves e permanentes, é o da fome. A cada dia, milhares de seres humanos morrem de inanição e de outras causas vinculadas à desnutrição. Ao mesmo tempo, cavalos de raça, gado P.O. (puro de origem), cães e gatos recebem ração balanceada, complemento vitamínico e treinamento fisioterápico. Chega-se a propiciar tratamento para anomalias psicológicas, tais como estresse, depressão e tendência ao suicídio.

Na África, milhares de crianças engolem terra para terem a impressão de um estômago provido. Nos Estados Unidos há dois canais de televisão que funcionam diuturnamente, com programação gastronômica. Sem falar nos inúmeros programas culinários que proliferam nos canais abertos.

Está-se, portanto, diante da realidade que segue: as profecias malthusianas não se confirmaram. Malthus previa que a humanidade cresceria geometricamente, enquanto que a produção de alimentos apenas aritmeticamente. Em determinada época, sobrariam bocas e faltaria alimento.

Isso não aconteceu. A tecnologia, o trabalho humano, o melhor aproveitamento das áreas agricultáveis, tudo permitiu produção suficiente de comida. O mundo inteiro poderia ser adequadamente nutrido e ainda sobraria alimentação. Mais da metade do planeta, contudo, passa fome. O que ocorre, então?

O problema é essencialmente ético. Há comida, há transporte, há condições logísticas para a distribuição. Falta é vergonha na cara daqueles que poderiam reverter esse quadro e o não fazem. E quem são esses? Com o risco de desagradar a todos, não considero herético dizer que somos todos nós.

Se é verdade que, pessoalmente, a poucos é conferida a capacidade de resolver o problema de todos, a muitos é cometida a possibilidade de alterar o microcosmo em que atua. Faz sentido investir em luxo, em sofisticação, em superfluidades, enquanto semelhantes padecem por não ter o essencial? É normal consigamos dormir e tenhamos a consciência anestesiada, perdendo a capacidade de indignação diante de tamanha irracionalidade? Ou estou exagerando na análise tão amara?

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

4 pensamentos sobre “E ainda somos racionais?

  1. Olá, Professor!

    A sua análise não é exageradamente amara. A realidade relatada, esta sim, é de se lamentar!

    No que respeita a canais de gastronomia, há pouca ou nenhuma preocupação com comida saudável. Algumas vezes vemos excessos, inovações, novidades e “originalidades” que são verdadeiros absurdos em termos de equilíbrio de calorias, de nutrientes e até mesmo de paladar no preparo dos pratos.

    No que se refere à tecnologia para a produção e distribuição de alimentos à população do planeta, o que se vê é a triste realidade: a maioria passa fome e uma minoria faz regime e ainda se queixa disso.

    De fato, a responsabilidade é de todos. Não resolve nada a idéia de que isso é problema de governos e que estes são responsáveis por políticas públicas na área de alimentação ou pela falta delas. Penso que o mesmo vale para a área da saúde, da educação, segurança etc.

    Acabamos concordando com o que acontece, porque as coisas simplesmente são assim. E muitas vezes achamos “linda” uma panela com alça de brilhantes que vemos apenas na internet e que nunca chegaremos a ver de fato, e que não serve para cozinhar de modo algum.

  2. Acho correto a análise e os comentários, mas gostaria de acrescer um aspécto puco abordado nos discursos e pensamentos, a “atitude”, sempre estive em situações em que tive que tê-la. Neste momento, tenho certeza de que milhões de irmãos estão perecendo e outros milhões que querem, podem e sabem como solucionar essa problemática perversa, mas infelizmente lhes faltam “atitude”.Com certeza não são culpados, pelo contrário, mas me incomoda muito a inércia em que estão envolvidos, acho que esperam que um “Grande Líder” tome a frente para liderá-los e porque não, libertá-los da letárgia em que se encontram, pois são boas pessoas, são do bem, mas precisam ser estimulados. Neste aspécto me parece que nós poderíamos fazer um pouco mais, quem sabe assim possamos ser uma parte deste “líder” que estão esperando para terema a “atitude”.Um grande e fraternal abraço.

  3. Acho correto a análise e os comentários, mas gostaria de acrescer um aspécto pouco abordado nos discursos e pensamentos, a “atitude”. Neste momento, tenho certeza de que milhões de irmãos estão perecendo pelo mundo e outros milhões querem, podem e sabem como solucionar essa problemática perversa, mas infelizmente lhes faltam “atitude”.
    Com certeza não são culpados, pelo contrário, mas se encontram envolvidos por uma inércia, talvez esperam que um “Grande Líder” tome a frente para liderá-los e porque não libertá-los dessa letargia em que se encontram, pois são boas pessoas, são do bem, mas precisam ser estimulados. Neste aspécto me parece que nós poderíamos fazer um pouco mais, quem sabe assim possamos ser uma parte deste “líder” que estão esperando para que tenham a “atitude”.Um grande e fraternal abraço.

  4. O Antonio Ermirio de Morais olha toda essa massa humana de forma mais objetiva todo ser que ainda não tem o que a natureza oferece e muito mais aquilo que a inteligencia humana conseguiu inventar para viver melhor o mundo material ainda é a maior riqueza doi Mundo a massa humana que precisa de tudo olhar por este é urgente não acredito naqueles que são materialistas estes somem nos fins de semana e feriados para usufruir de suas comquistas que olha por este famitos e envelhecidos é peciso reavaliar o ensino e abrir a mente de alguém para olhar estes frageis seres do Mundo eu era engraxate passei necessidade e olho tudo isto com preocupação porque na falta de preço ja vi toneladas e toneladas de alimentos perecerem no chão sem colheita e a fome imperando. Um abraço Desembargador .

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