Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

É do Peru!

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MÁRIO VARGAS LLOSA finalmente recebeu o seu Nobel de Literatura. Numa espécie de premonição, vários suplementos literários o contemplaram estes dias. Lançado recentemente no Brasil o livro Sabres & Utopias contém uma seleção de ensaios e artigos seus, onde exterioriza seu desalento com a esquerda. E também se anuncia o próximo livro, O Sonho do Celta, onde a Amazônia do ciclo da borracha é um dos cenários. Nesse livro, a figura central é o diplomata britânico Roger Casement, que morreu em 1916, mas antes passou pelo Congo e pelo Brasil.

Aqui, sua missão era investigar e reportar à Coroa o regime de escravidão a que eram submetidos os indígenas da região amazônica. Foi cônsul inglês no Rio e seus relatórios, segundo Vargas Llosa, eram duros, críticos, retrato fiel do que se passava. De certa forma, a redescoberta desse herói coincide com a trajetória político-intelectual do premiado. Casement chegou à conclusão, embora a servir um império colonialista, que a colonização não era o melhor caminho para civilizar e cristianizar os povos. LLOSA, que já foi adepto do regime cubano, converteu-se a uma visão menos ufanista dessa experiência comunista em solo americano.

Por sinal, em Sabres & Utopias, um de seus artigos é a severa crítica ao Presidente Lula, que saudou Fidel e Raúl Castro em Havana, exatamente no dia em que se enterrava Orlando Zapata Tamayo, morto em guerra de fome. Para LLOSA, há uma contradição nesses abraços que “acabam legitimando regimes que são uma vergonha do ponto de vista político e moral”. O escritor já foi considerado um poço de contradições. Concorreu à presidência do Peru e perdeu para Alberto Fujimori, de triste memória. Mas o seu brado em favor da Democracia ecoou em Estocolmo.

Assim como o Nobel da Paz, entregue ao dissidente chinês Liu Xiaobo é um “tapa na cara” de quem se propõe a sustentar autoritarismo em pleno século XXI. É óbvio que eu preferia um Nobel de Literatura para LYGIA FAGUNDES TELLES. Ela tem todos os atributos para estrear nessa galeria. Mas o Brasil prefere oferecer ao mundo o espetáculo dos arrastões no Rio, prévia sedutora do que deverá ser a Copa de 2014. Enfim, é um sulamericano. E é do Peru!

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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