Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O Alzheimer moral

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Vale a pena continuar a examinar o discurso de Olavo Bilac para os estudantes de Direito do Largo de São Francisco em 9.10.1915. Após constatar que a moral desaparecera do Brasil, ele afirmava: “Assim, a comunhão desfaz-se, e transforma-se em acampamento bárbaro e mercenário, governado pelo conflito das cobiças individuais. E os políticos profissionais, pastores egoístas do rebanho tresmalhado, nada fazem para impedir a dispersão; e quando não se aproveitam do regabofe generalizado, e quando não se locupletam imitando a gula comum, apenas se contentam com a passiva e ridícula vaidade do mando fictício…”.

Tudo gerado pela falta de verdadeira educação. Não escolarização formal: vagas para todos, matrículas nas escolas, obtenção de diplomas como prêmio automático à presença física do alunado e pífia aferição de aproveitamento das aulas ministradas.

Situação geral, mas agravada em relação aos hipossuficientes. Pois “as mais humildes camadas populares, mantidas na mais bruta ignorância, mostram só inércia, apatia, superstição, absoluta privação de consciência. Nos rudes sertões os homens não são brasileiros, nem ao menos são verdadeiros homens: são viventes sem alma criadora e livre, como as feras, como os insetos, como as árvores. A maior extensão do território está povoada de analfabetos; a instrução primária, entregue ao poder dos governos locais, é muitas vezes, apenas, uma das rodas da engrenagem eleitoral de campanário, um dos instrumentos da maroteira política”.

Ele chamava a educação profissionalizante de “mito, fábula, ficção”. A única esperança era invocar o brio de quem estudava Direito. O estudante de Direito era um ser pensante. Um dos poucos capazes de não perder a capacidade de indignação e de clamar contra a lama ética em que chafurdava a nacionalidade.

Bilac concitava os acadêmicos a não aguardar a formatura para trabalhar, vibrar e protestar. “Protestai, com o desinteresse, com a convicção, com a renúncia, com a poesia – contra a mesquinharia, contra o egoísmo, contra o arrivismo, contra a baixeza da indiferença”. Naquele tempo, eram 2 Faculdades de Direito no Brasil. Hoje são 3.000, espalhadas por todo o território.Onde está Olavo Bilac?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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