Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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“O momento não quer discursos ocos e retumbantes, sonoridades entontecedoras rolando na esterilidade do vácuo. O que se exige agora é a simplicidade de ideias fortes em palavras claras que, na sua dura tristeza, tenham, com a revolta, um estímulo para a esperança, para a crença e para o heroísmo”. Quem teria dito essas palavras? Há exatamente 95 anos, em outubro de 1915, era Olavo Bilac a pronunciá-las na Faculdade de Direito da USP. A concitar os brasileiros a uma conversão moral.

Ele tinha noção de que São Paulo não era o Brasil. A ideia ainda é a mesma. Numa recente reunião, Maria Bonomi disse: “O Brasil é a periferia de São Paulo”. Pois há quase um século Bilac proclamava: “Não podeis, talvez, perceber com perfeita consciência a gravidade de nossa situação moral. Viveis numa rica metrópole, entre o sorriso e a gala da vida culta e não podeis entrever o caos, a confusão e os perigos que enchem toda a nossa maravilhosa e inconsistente pátria”.

Em plena I Grande Guerra Mundial, enquanto os europeus morriam de fato, Bilac já lamentava que no Brasil, “outra desgraça, mais triste, oprime o país e outra morte pior escasseia os filhos válidos – desgraça de caráter e morte moral”. Situação que deixava o Brasil “devastado sem guerra e caduco antes da velhice”. Hoje ele diria que o País foi acometido de verdadeiro Alzheimer moral. Por isso é que a juventude já não tinha entusiasmo. Já não sabia o que era patriotismo. Não se comovia com temas como probidade, dignidade, doação, altruísmo, caráter.

E diante desse descalabro Bilac tinha medo: “O que me amedronta é a míngua de ideal que nos abate. Sem ideal, não há nobreza de alma; sem nobreza de alma, não há desinteresse; sem desinteresse, não há coesão; sem coesão não há Pátria”. O Brasil, antecipando a devastação de seu verde, a poluição de suas águas, o comprometimento de seu ar, já estava dizimado por dentro. “Uma onda desmoralizadora de desânimo avassala todas as almas… Hoje, a indiferença é a lei moral; o interesse próprio é o único incentivo”. Qualquer semelhança com o presente não é mera coincidência.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, Editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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