Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Gestão privada x gestão pública

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Por que é que na iniciativa privada as coisas funcionam enquanto na gestão pública elas patinam? Não é por falta de leis. Desde a Constituição, afirma-se que todo o poder emana do povo. Promete-se a edificação de uma Pátria justa, fraterna e solidária. O dado é cultural. Somos complicados. Adoramos uma sofisticação. Para que simplificar, se já estamos acostumados com o prolixo e com as dificuldades a serem enfrentadas ou contornadas?

Exagero? Ou quem é que não teve problemas quando precisou de algo junto à Administração Pública? Impostos de Primeiro Mundo, serviços públicos de nações periféricas. Nestas é que o povo convive, passivamente, com uma gestão pública ineficiente, burocrática e lenta.

A Administração Pública é confiada à política responsável pelo exercício do poder. Segundo o pensador George Kennan, o poder produz uma excitação que, como campo radioativo, contamina toda a atmosfera interna e exterior a ele. Na concepção desse cientista, o poder funciona a partir de um grupo e tem a finalidade de atender ao próprio grupo. Em seguida, atende ao líder. Em terceiro lugar, satisfaz ao Partido. Por último – e isso se não atrapalhar as outras três prioridades – cuidará de atender ao povo.

A conclusão do cientista é a de que todos os governos atuam para si próprios e convivem num emaranhado de ambições, rivalidades, ressentimentos, ansiedades, suspeitas e pressões. Ambiente que impede o desenvolvimento de uma administração eficiente.

Na administração pública prevalece o processo, enquanto que na gestão privada foca-se o resultado. Naquela, o processo decisório é diluído. Quantos carimbos ou por quantas sessões um pedido de providência deve passar antes de se concretizar? Na empresa privada, todos sabem quem manda. No espaço público, o medo da responsabilidade condena à inação. Importa é não ser acusado de nada. As decisões da autoridade não são suficientes. Nem sempre chegam à ponta da longa meada, qual fio de Ariadne. As burocracias têm sua própria lógica.

Será que um dia o princípio da eficiência, incluído no artigo 37 da Constituição da República será levado a sério e a gestão pública se preocupará menos com a forma do que com o resultado a benefício do povo?

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Gestão privada x gestão pública

  1. Olá, Professor!

    Concordo com o senhor. O interesse público é empregado para justificar as atitudes de alguns poucos que se beneficiam da “res publica”. Muitas vezes O interesse público secundário substitui o primário.

    Muito feliz a metáfora utilizada pelo pensador Kennan e pelo senhor relatada.

  2. Olá, Professor!

    Concordo com o senhor. Com freqüência, o interesse público é empregado para justificar as atitudes de alguns que se beneficiam da “res publica”. Muitas vezes o interesse público secundário substitui o primário.

    Muito feliz a metáfora utilizada pelo pensador Kennan e pelo senhor relatada.

  3. Faltam na gestão pública gestores… os ocupantes de cargos eletivos não têm nenhuma formação como pré-requisito à candidatura, e pelo povo são escolhidos da mesma forma que se escolhe o emparedado da semana do Big Brother… e nós, concursados para ocupar um dos três Poderes, acabamos tendo que gerir também, às vezes sem formação, às vezes sem vocação para uma face da função que à primeira vista não é típica do Poder Judiciário…

    Penso que, ao menos no que concerne à Magistratura, precisamos contar com pessoas especializadas – talvez terceirizadas – em certas atividades de cunho exclusivamente administrativo. E passar a contar com uma parte da formação (desde o Curso de Iniciação de Magistrados) voltada para esta área em especial.

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