Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A coisa é muito pior!

1 comentário

Já se sabia que a mutilação do Código Florestal, pela atuação de ruralistas interessados na ampliação da área agricultável e destinada à pecuária, seria nefasta para o ambiente. Quando se fala em prejuízo para o ambiente, veja-se bem, não se fala em algo etéreo, impessoal ou inexistente. O ambiente é um bem da vida convertido em direito fundamental da mais elevada expressão. Foi o primeiro direito humano, de índole constitucional, reconhecido na categoria de intergeracional.

Pois é dever do Poder Público e da sociedade defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. A mídia anuncia que a aprovação do projeto, que já passou pelas Comissões e aguarda apenas votação em Plenário, implicará em significativo agravamento das consequências do desmatamento. O Código Florestal é de 1965 e, mesmo editado antes de surgir a discussão ecológica, era protetivo do verde que restou neste continente devastado. Incrível como uma lei promulgada em pleno arbítrio – a Revolução Democrática gloriosa é de 31.3.1964 – era tão sensível a uma necessidade vital de todos os viventes.

Paradoxalmente, agora que existe uma consciência mais sedimentada, que o Brasil já sediou a Eco-92, que contribuiu para a elaboração do conceito de “desenvolvimento sustentável”, assiste-se, de maneira quase inercial, a esse evidente retrocesso. Será que a nacionalidade vai assistir impávida a esse verdadeiro crime contra o futuro? Crime, sim. Ontologicamente, não há diferença com outras incursões graves e sérias contra bens da vida.  Não é apenas reduzir a dimensão das reservas florestais, mas é acabar com a mata ciliar, secar os cursos d´água, cada vez mais preciosos e raros.

Transformar a maior parte do Brasil num deserto. Acabar com o maior patrimônio pátrio, a natureza que não foi construída por nenhum ser humano, mas que este – inclemente, insensato e voraz –  celeremente destrói. As gerações do porvir, que não terão água, que não terão oxigênio, que conhecerão a biodiversidade apenas por fotos ou clips, o que dirá de nós, que pactuamos com essa calamidade? Não estaremos aqui para ouvir. Nem poderemos ficar corados de vergonha.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “A coisa é muito pior!

  1. Olá, Professor!

    Penso que todos sabemos da importância da preservação do meio ambiente.

    A questão é que desenvolvimento sustentável, para muitos, é um conceito vago. Cada setor da economia e cada cidadão entende como quer com essa locução.

    Observamos sérias divergências entre ambientalistas, ruralistas, economistas etc. Cada grupo entende que deve defender os seus interesses e acomodam o conceito do modo que lhes convém.

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