Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O que aconteceu com nossos jovens?

1 comentário

A reiterada e prometida tentativa de revitalização do centro paulistano, região da Luz, encontra um nítido sintoma da agonia das cidades. São milhares de consumidores de craque a vagar pelos espaços deixados abertos com as demolições. A massa informe, quase inumana, é tangida a abandonar os pontos sob vigilância da polícia e a mudar para outros. O drama é objeto de seguidas reportagens na mídia e só pode chocar as sensibilidades que não se conformam com esse estado de coisas.

Quem não se comove com o relato de pais que permanecem por longo período à procura de seus filhos viciados? Quem pode ficar impassível ante a exibição de seres humanos corroídos pela droga, depauperados, ausentes de qualquer outro interesse que não seja o consumo do craque? Há indagações que não conseguem silenciar. Como é que essa droga continua a chegar, na quantidade compatível com a crescente demanda, e sempre nos mesmos lugares?

Seria inviável um esforço de guerra contra os produtores e os fabricantes do craque? Uma urbe como São Paulo, o terceiro orçamento da República, não tem condições de uma cruzada rumo à recuperação dos “noias”? O problema não é da Prefeitura. Nem do Estado. Nem da União. É de todos. Uma sociedade que convive com a droga, a ponto de ter milhares de pessoas totalmente inutilizadas pela ação deletéria do entorpecente, só pode ser – ela mesma – também doente.

Há quanto tempo se sabe que o uso de substâncias propiciadoras de uma sensação agradável, mas causadoras de dependência, compromete o convívio, destrói a família, estimula a violência e, mesmo assim, não se leva a sério o combate a elas? Ou se admitirá a incompetência das autoridades, a falência dos esquemas até hoje adotados e a irreversibilidade desse quadro?

É de se admitir que o Brasil perdeu a guerra movida contra a droga? Terão razão aqueles que pregam a liberação? O que eles podem dizer a quem não aceita a tese, diante da figura tétrica daquela legião de usuários do craque, esquálidos e quais zumbis a caminho da morte? Nós todos temos de nos questionar: o que aconteceu com nossos jovens? Temos responsabilidade ou contas a prestar?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “O que aconteceu com nossos jovens?

  1. Que força é essa ? Que poder e organização estão por trás dos produtores e distribuidores das drogas ? Não há poder constituído legalmente que possa detê-los. Nem o império norte-americano com todo recurso financeiro, tecnologia, seriedade, satélites ultra modernos, leis rigorosas, justiça eficiente, etc… conseguiu resultados satisfatórios nessa guerra. Infelizmente parece que não há como detê-los. Precisamos tolerar e aprender a conviver com mais essa praga, como tantas outras que assolam a humanidade. É difícil aceitar isso, mas já nos acomodamos em relação a coisas muito piores como: corrupção, injustiça, violência, miséria, fome, genocídios, poluição crescente, desmandos governamentais, etc… Que Deus nos socorra.

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