Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Começar em casa

2 Comentários

Um dos poucos consensos na camada pensante da sociedade brasileira é o de que todos os problemas estão na educação. Com educação haveria redução das desigualdades, a miséria seria eliminada e, de acordo com o melhor conceito do que deva ser “educação”, a ética tomaria o lugar da desfaçatez. Se ao menos isso se sabe, porque o Brasil continua a patinar e a ostentar um dos últimos postos no ranking das nações cujos sistemas educacionais são avaliados? A verba que o Estado brasileiro dedica à educação não é pouca. Mas ela não surte os efeitos esperados e desejáveis.

Uma das causas é o sonho de grandeza dos responsáveis pela política pública da educação. Teorias, escolas pedagógicas, processos e formulações se multiplicam, produzidos por especialistas dos quais o Brasil é pródigo. Tentar solucionar tudo mediante uma visão homogeneizadora, centralizada, é um sonho inviável. O gigantismo e a complexidade da questão escolar não pode prescindir de olhares focados em cada nível e realidade local. Algo que funcionaria para a educação pública e que não requer senão vontade é o envolvimento da família com a escola.

Por que não chamar os pais para uma participação ativa na gestão da unidade em que seu filho estuda? Se os pais tivessem noção de quanto o governo gasta para propiciar escola a seu filho, teriam interesse no melhor uso dessa verba. Se a população está acostumada a “mutirões” para acrescer de lajes a sua moradia, por que não utilizar o mesmo sistema para reformar escolas? Por que não fazer as mães se interessarem pela merenda e se devotarem a um voluntariado para adequado aproveitamento da verba a tal destinada?

A qualidade do alimento fornecido à criança ganharia muito se o ingrediente fosse o amor materno. Além do envolvimento participativo da família, evitar-se-ia o reiterado escândalo dos fornecedores inescrupulosos. Tudo isso não significa dispêndio. Ao contrário: representa economia. Não está proibido por lei. Ao inverso: incrementa a Democracia Participativa prometida pelo constituinte. E no entretanto, por que não se faz?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Começar em casa

  1. Nobre Desembargador,

    Não só compartilho do vosso pensamento, como também já escrevi sobre isso em uma redação que fiz em um curso há mais de vinte anos (na época tinha 14 anos).
    Usando a mesma linha de pensamento discorri sobre os benefícios que uma escola integrada com a sociedade traria a todos os envolvidos.
    Resultado: o professor entregou todas as redações aos alunos e deixou a minha por último. Chamou pelo meu nome e eu não respondi – era um curso rápido e o professor não conhecia ninguém pelo nome -, já esperando algo ruim. Mesmo sem resposta ele leu a minha redação em voz alta, a todos da sala, fazendo gracinhas de todo o tipo, zombando de minhas idéias e comparando o meu modelo ao do antigo Mobral. Por fim, fixou o meu texto na lousa na esperança de que um dia eu pudesse aparecer para ser massacrado. Nunca mais pisei alí.
    Infelizmente, nestes vinte anos nada evoluiu na educação, ao contrário, piorou. E isso só prova que meu pensamento não estava errado, ainda mais quando vejo que tão nobre pessoa compartilha dele.
    Saudações,
    Nélio Carrara Filho

  2. Prezado Secretário da Eduação, todos nós professores sabemos que a escola pública seria muito melhor com a participação dos pais, sabemos, queremos e tentamos isso arduamente. No entanto, professores e funcionários das escolas públicas do estado de sp sabem que na grande maioria das escolas (principalmente as das periferias) isso é um sonho, muito difícil de ser alcançado… Como conseguir um multirão para reformar uma escola ou a participação de mães na merenda escolar se, na realidade os pais nem sequer aparecem nas reuniões escolares as quais são convocados e não se interessam pela vida de seus filhos… Sim, é essa a realidade de grande parte das crianças nas escolas, ignoradas, mal tratadas e desprezadas pelos seus pais… Qualquer professor se depara com a carência de carinho e atenção dos seus alunos.
    Convido-o para conhecer o dia-a-dia das escolas públicas do estado de SP. Por favor, escolha aleatoriamente algumas escolas do estado e faça uma visita no horário das aulas.
    Tenho certeza da sua boa intenção com a secretaria da educação, por isso faço este convite…

    Atenciosamente,
    Profa. Dra. Edilaine Martins Soler

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