Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Fora de moda

1 comentário

Pode parecer paradoxal que alguém mergulhado na área jurídica há 45 anos tenha noção do que está na moda ou dela foi excluído. Isso porque o universo do Direito é um dos mais anacrônicos, ao menos para a grande maioria de seus profissionais. Costumamos enxergar tudo por nossa própria ótica. Na ilusão de que a Justiça humana seja a mais essencial de todas as obrigações que o governo assumiu em relação a seu povo. Por acalentar essa ilusão é que muitos de nós não conseguimos enxergar que o equipamento estatal denominado “Justiça” já não atende às expectativas de uma sociedade que se acostumou a outro ritmo. Muito diverso daquele que o Judiciário imprime a seus processos.

Mesmo assim, quando há resquícios de lucidez, vislumbra-se o que já deveria ter sido excluído das praxes do pessoal do direito. Três delas cabem no comentário que segue. Não esgotam o tema, porém serão suficientes a instigar algumas reações.

A primeira é a realização dos Júris simulados. Com tanta justiça concreta a ser feita – e perfeitamente viável para o alunado que poderia servir como conciliador, por que realizar o teatro da ficção para um alunado que dificilmente se defrontará com o desafio do Tribunal do Júri?

A segunda é o esgotamento das tais “Semanas Jurídicas”, repetitivas, sensaboronas, com palestras que pouco trazem de novo à inerte assistência. Quase todos estão ali porque são obrigados. Afinal, há controle de frequência. Terceiro, as “noites de autógrafo”. Hoje todos publicam livros. Sobram autores, faltam é leitores. Por que aborrecer os amigos fazendo-os permanecer em fila para receber uma assinatura no livro que se comprou por amizade?

Grandes autores já não participam de sessões de autógrafos. Isso é demodé, cansativo, sua reiteração exaure a paciência de quem já não tem tempo para cumprir obrigações das quais não pode escapar e que só comparece a tais encontros – com sacrifício pessoal – por um testemunho de amizade nem sempre reconhecido.

Vamos dar uma pausa aos “Júris simulados”, “Semanas Jurídicas” e “Noites de Autógrafo”. Será que a criatividade brasileira não tem nada melhor para oferecer à juventude?

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Fora de moda

  1. O Judiciário deveria promover um evento em que as Faculdades de Direito encaminhariam seus alunos para ajudar a fazer uma triagem nas varas.
    Seriam selecionados os processos repetitivos, os que cabem sentenças idênticas, pacificados no STJ e STF, bem como as ações coletivas. Tenho certeza absoluta que 70% do trabalho seria eliminado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s