Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A incessante busca pelo poder

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Nas reflexões que fiz neste espaço em relação à nova legislatura, contemplei o livro “As mentiras convencionais da nossa civilização”, de Max Nordau. Ele é muito sarcástico em relação aos políticos. Salienta que a principal característica de quem se dispõe a exercer um cargo público é o egoísmo. “Eis os homens que seguem a carreira política: são conduzidos pelo egoísmo, entretanto têm necessidade de certa popularidade, e a popularidade só é adquirida ordinariamente por aquele que auxilia a felicidade da comunidade ou finge auxiliá-la; os nossos ambiciosos terão, pois, de ocupar-se dos interesses públicos ou farão pelo menos semblante de interessar-se por eles. Devem, para ser bem-sucedidos, possuir diversas qualidades que não atraiam antipatias. Devem saber fingir e mentir, porque são constrangidos a sorrir para homens que lhes são repugnantes ou indiferentes, sob pena de criar inumeráveis inimigos; devem fazer promessas que sabem previamente não poder cumprir.

Devem, enfim, lisonjear as inclinações e as paixões vulgares da multidão, fingir partilhar seus preconceitos, suas ideias tradicionais. Todos esses traços reunidos formam um personagem repulsivo ao homem de caráter firme. Em qualquer romance, semelhante personagem não atrairia nunca a empatia do leitor; na vida, o mesmo leitor lhe dá seu voto de todas as eleições”.

A visão pessimista de Max Nordau não se aplica a todos os políticos. Remanescem os honestos. Mas, de maneira geral, a descrença predomina. Quando se vê gente honesta cercar-se de desonestos de todos os matizes, apresenta-se um dilema: ou o detentor do cargo é despreparado, por não saber escolher, ou é mal intencionado. Não há uma terceira via. E isso preocupa aquele que pretende encontrar ética renascida na política.

Se não há receitas infalíveis para formar bons políticos, existe algo que todos podem fazer: fiscalizar, cobrar, vigiar, não perder a capacidade de indignação. Se não podemos compelir o Governo a “fazer o bem”, não é raro tenhamos condições e força para impedi-lo de “fazer o mal”. E para os que perseverarem no caminho do mal, Hilda Hilst escreveu um poema para eles:

Sobre o vosso jazigo
– homem político
Nem compaixão, nem flores.
Apenas o escuro grito
Dos homens.
Sobre os vossos filhos
– homem político –
A desventura do vosso nome.

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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